terça-feira, 17 de maio de 2011

GUERRA DOS BALCÃS

No início dos anos 90 do século passado, nos retalhos da Europa Central, antes unificados sob o forte jugo de Tito e a designação de Jugoslávia, eclodiu, com estrondo, uma guerra fratricida, cujo eco soou forte através das nossas TVs, ilustrado com o relato de terríveis atrocidades e a exibição de imagens duma destruição tão vasta quão gratuita, como, aliás, é próprio de qualquer guerra que se preze. 
Em recente deslocação a alguns dos Países resultantes da partilha posteriormente efectuada (ao sabor de interesses políticos de terceiros ...), pude constatar que persistem marcas vívidas dessa guerra, como é o caso da renda desenhada em alguns edifícios pelo crivo das balas, muitas disparadas por atiradores solitários.  Registei as que seguem, em Mostar, Bósnia-Herzegovina. 














Já a ponte de Mostar, tristemente celebrizada devido aos bombardeamentos de que foi alvo, veio a ser reconstruída. 


Por seu turno, na Croácia (então, palco da invasão sérvia) apercebi-me de um sentimento de veneração pelos heróis de guerra, associado a uma forte revolta,  alusiva ao que consideram ser as injustas condenações aplicadas pelo Tribunal da Haia. 
Em Split, vi os primeiros cartazes alusivos ao tema:

Dias depois, em Zagreb, decorria um protesto, com greve de fome, em nome da mesma causa.


A propósito de tudo isto, vieram-me à memória dois livros de particular interesse:
-Guive Peace a Chance! Sarajevoo Diário de Zlata, de Zlata Filipovic, 1994, relato da guerra, na perspectiva do brutal impacto causado na vida da autora, uma adolescente; 
- A Ponte sobre o Drina, de Ivo Andric, que, reportando o início da sua narrativa (a da construção da dita ponte, numa cidade de fronteira entre a Bósnia e a Sérvia) ao início do séc. XVI, acaba por fornecer um importante referencial histórico para a compreensão das diversas influências culturais e religiosas que contribuíram para a formação do caldo onde viria a gerar-se a guerra dos Balcãs. 

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