domingo, 5 de junho de 2011

A CADA POVO O SEU SALAZAR

grau de alívio pela saída do sr. Sócrates tem exactamente a mesma medida do grau de apreensão pela entrada do seu sucessor, sr. Passos Coelho, em anunciado consórcio com o sr. Portas.

Se aquele, intitulando-se socialista, levou a cabo a mais direitista das políticas alguma vez ousadas em Portugal, após o 25 de Abril, com expoente máximo em sucessivos atentados ao estado social, aos direitos dos trabalhadores e à própria CRP, castigando os mais fracos e protegendo os mais fortes, não é difícil antecipar o que a dupla que se segue irá por em prática.

Aliás, honra lhe seja feita, o futuro primeiro-ministro, no seu insípido discurso de vitória, devidamente embalado no hino nacional, fez questão de alertar os portugueses para as duras medidas que aí vêm, as impostas pela Troika e outras (que não especificou).

Assim e duma assentada, deixou duas mensagens, mais ou menos subliminares: primeira, isto vai doer mais do que pensam, mas a culpa não é minha (afinal a situação é herdada e ele chega, agora, como salvador da Pátria); segunda, depois não venham dizer que não avisei e chamar-me mentiroso (ele não é como o outro, não pretende impingir-nos uma miríade de fantasias).

Também do mesmo jeito, en passantacentuou a responsabilidade do PS, enquanto agente da negociação com a troika, no tocante à implementação das medidas constantes do memorando daí decorrente. Esqueceu-se, obviamente, de acentuar que subscreveu o dito memorando  e que apresentou um programa totalmente consonante com o mesmo.

Tudo visto, criou uma razoável zona de conforto, a partir da qual nos pode (e vai) f. à vontadinha.

E, por mais espantoso que isto possa parecer a qualquer observador minimamente inteligente, informado, sensato e precavido, conseguiu essa proeza com uma confortável maioria de votos dos heróis do mar, nobre povo, nação valente!

Cá para mim, trata-se antes dos cobardes (cá) da terra, pobre povo, nação assustada.

Mas como é deles o voto, dos que formam as maiorias (e os outros que se aguentem), só me resta mandar os mais sinceros e eloquentes parabéns à sr.ª Merkel!

Ainda uma coisinha: cada vez me convenço mais de que não foi por acaso - terá, até, sido bem merecido -, que este pobre povo sofreu o seu Salazar!

1 comentário:

  1. Resta-me dizer que apesar de um já desgastado e intermitente novo ciclo governamental , estou à espera como jovem cidadão, que o próximo governo constitua uma alternativa credível (pois da qualidade dos seus membros não duvido)e atenue este desânimo generalizado, que a meu ver se distancia e supera qualquer opção política! Como português que ama a pátria e não a troikaria por qualquer outra quero encarar esta mudança com muito otimismo, mesmo na insegurança e incerteza que a acompanha! Será necessário mais amor e criatividade no trabalho, para que ele se torne a mais alta e nobre possibilidade de exprimirmos os nossos talentos...Força Portugal!!!

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