domingo, 8 de dezembro de 2013

MAIS BURRA E UM POUCO FILOSÓFICA!


Dou comigo a sentir-me mais burra. Contudo, ainda consigo atinar com a causa: este ano não viajei e já não vou viajar, contrariamente ao que me tinha prometido. Promessas não cumpridas, carreira política à vista. Isto foi só um aparte. Parvo. (Parvo=óbvio)
 
A ausência de viagens faz-me sentir concêntrica. Para além de burra. Talvez seja a mesma coisa. Concêntrico=burro. Círculo sobre círculo sobre círculo sobre círculo até ao infinito da saturação claustrofóbica. Também entendível como bloqueado, incapaz de sair do sítio.
 
Precisamente o oposto do conceito de em trânsito, que servirá de pano de fundo ao meu livro de viagens, talvez aquele que nunca escreverei, ao menos se continuar neste lastimável estado.
 
Mas posso já adiantar: em trânsito aplica-se a um estado de receptividade divagatória, tipo, vou daqui para ali, mas só me interessa a ideia de trajectória (não confundir com a trajectória), esqueço o aqui, o ali e o quando, declaro-me suspensa do espaço e do tempo ou no espaço e no tempo. Talvez até  me interrompa. Sinto-me receptiva ao que me rodeia porque me transformo no que me rodeia, quer dizer, no espírito da suspensão (interrupção?) escolhida e declarada. Desamarro-me de todos os círculos, bem, de quase todos, sintonizo-me com o que flui dos lugares, das pessoas, sobretudo dos lugares. Sobretudo dos lugares que se confundem com o meu espírito subterrâneo e brumoso. Brumoso está giro, lembrou-me As Brumas de Avalon. Bela narrativa, As Brumas de Avalon! Bruma transparente e luminosa.
 
Contrariamente ao que sucede com quase toda a gente - creio - desfruto com o tempo normal de aeroporto, verdadeira metáfora do conceito de em trânsito. Há tantas histórias suspensas e/ou interrompidas no tempo/espaço duma escala. Não me interessam as histórias, em si, nem sequer me dou ao trabalho de as imaginar, aliás sou despossuída do requerido espírito de observação, mas agrada-me saber que há milhares de histórias ambulantes, passando pela minha, quer dizer, se eu tivesse uma história, que não, não tenho. Apenas uma passagem, nem sempre flutuante.
 
Em trânsito=flutuante.
 
Já me sinto um pouco menos burra, mas preciso desesperadamente de viajar. Não interessa donde nem para onde. Apenas em trânsito.
 
 


2 comentários:

  1. Gosto da maneira como jogas com as palavras e com os conceitos.

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    1. Muito obrigada, Maria. É bom saber.
      Bluegirl

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