terça-feira, 25 de novembro de 2014

ÚLTIMA HORA

Advertência: os nomes que seguem foram inventados e, quanto às notícias, qualquer coincidência com a realidade é pura semelhança.
  • Cavaco reconsidera condecorar Sócrates, tendo em conta que este conseguiu a proeza de ser o primeiro ex-primeiro-ministro português a ser preso preventivamente por alegada suspeita de corrupção.
  • Sócrates prescinde de empréstimo bancário para ir passar uma temporada de reflexão a Évora, onde se dedicará a escrever um ensaio intitulado A VIDA É LIXADA: Consequências da Queda do Espírito Santo.
  • Portas foi detido para interrogatório pelo juiz Alexandre, quando desembarcava dum submarino, após ter passado o fim de semana no lago do Parque Eduardo Sétimo, onde se dedicou afanosamente a lavar notas.
  • Passos evita passar fins-de-semana fora e queima papelada relativa a ONGs.
  • Passos leva a conselho de ministros uma proposta, visando tornar o cargo de PGR vitalício; corre entre os ministros que a ideia foi urdida com a activa e irrevogável colaboração de Portas e que é conhecida por Vidal Forever.
  • Ao saber desta notícia, Sócrates não para de se interrogar, - porque não fiz eu aprovar uma lei que convertesse o cargo de PGR em vitalício?
  • Maria reza às figurinhas do Menino Jesus e de Nossa Senhora dos Presépios de estimação para que o juiz Alexandre não se lembre de ir vasculhar nos casos BPN/SLN e Casa da Coelha… que se saiba.
  • Estão iminentes novas buscas à divisão secreta da casa do Loureiro, tendo em vista apreender o que lá foi esquecido da outra vez.
  • Se dúvidas havia, está demonstrado que os políticos não são todos iguais, uns são morenos, outros louros, uns são baixos, outros altos, uns mentem outros… (está bem, esta é a excepção que confirma a regra).
  • Cavaco reconsidera convocar eleições antecipadas, embora não tenham sido adiantadas razões.
  • Passos, apesar de se estar nas tintas para as eleições, iniciou a campanha pré-eleitoral (sim, até à campanha eleitoral propriamente dita, muita água ainda vai correr sob as pontes ou, inclusive, por cima delas), como o demonstra o facto de ter sido ouvido a perorar com ar melífluo - como quando, contritamente, pediu desculpa aos portugueses por sufragar o último orçamento Sócrates (remember?) -, chegando ao (comovedor) ponto de lamentar a recente emigração em massa de portugueses (que ele próprio tinha instigado, remember?).
  • Costa encontra-se perante um dilema existencial: pondera livrar-se da tralha socratista, mas receia que, no processo, tenha de livrar-se de si próprio.
  • Tó-Zé não tem parado de sorrir candidamente (para fora, para dentro, é só gargalhadas), enquanto se prepara para ocupar a vaga de comentador da RTP 1, que já visualiza como rampa de lançamento para a presidência da república.
  • Lopes está atento e, à cautela, já foi anunciando que a Misericórdia vai promover festas para o povo, aos Domingos à tarde, com direito a lanche e música pimba.
  • Barroso também está atento e não lhe falta vontade de regressar ao país que, em tempos, encontrou de tanga e deixou despido; entretanto, vai dando umas conferências, sob os apelativos títulos, A Excelência do Cherne, A Arte de Servir Café aos Senhores do Mundo, A Promessa das Lajes, e outros do género.
  • Ricardo mandou colocar diamantes na pulseira electrónica que o prende aos off-shores, mas em entrevista ao SOLOL, referiu que são pedrinhas de plástico.
  • O juiz Alexandre anda a Red Bull.
  • Vai ser instaurado o segredo de justiça, em Portugal.
  • Os jornalistas andam super empolgados com a descoberta duns objectos estranhos que costumam circular pelas ruas da capital, sobre quatro rodas, por exemplo entre o Aeroporto e o Campus da Justiça e entre este e Évora, com umas pessoas lá dentro. Parece que se chamam carros ou carrinhas.
  • Cavaco acabou de se engasgar, ao sofrer uma crise vagal em pleno acto de deglutição duma fatia de bolo-rei.
  • Portugal está a mexer. Mal, para baixo. Quiçá umas aulas de Kizomba lhe fizessem bem. - O quê?, perguntou a dos Santos, disponível.
  • Portas comove-se e faz beicinho, à beira das lágrimas, ao anunciar que Portugal se prepara para ser o maior exportador de vistos gold de que há memória.
  • Giorgio Armani oferece-se para desenhar a nova vestimenta (por assim dizer, prisional) de  Sócrates.
  • O motorista de Sócrates arrepende-se de não ter escolhido outra profissão e promete colaborar com a Justiça, a troco de perdão de pena.
  • A LENA não existe.
  • Descobriu-se que o amigo de Sócrates é, afinal, irmão de Sócrates, quer dizer, filho da mãe de Sócrates. Esta, por seu turno, não é mãe de Sócrates, mas irmã da mãe de Sócrates, tia do amigo-irmão deste, que é, afinal, seu primo. O pai é que será comum, embora não haja a certeza, porque o CSI anda ocupado a resolver casos na TV e ainda não teve tempo para efectuar os testes de ADN. Esta inversão de prioridades está a deixar os telespectadores deveras enfurecidos, pois, no entretanto, só vêem carros dum lado para o outro, e pensam, ainda se fossem OVNIS! Bem, mas isto já é matéria para outra sede, pois carece do rigor jornalístico da notícia e, claro, da fuga de informação/violação do segredo de justiça.
 
(imagem obtida em pesquisa Google)
 
 
 

domingo, 23 de novembro de 2014

AS PALAVRAS DO TEU OLHAR


Os teus olhos estendiam-se lá para longe, bem longe, enquanto os meus não descolavam dos teus.
Tentei, desesperadamente, percorrer a passadeira que separava os teus olhos do objecto da sua perdição, mas não consegui chegar a lado nenhum. Não admira, revelou-se um percurso nada linear, parecia desdobrar-se em várias direcções, deixando-me perdida em idas e voltas labirínticas, como quando se percorre uma árvore genealógica rica de familiares, episódios matrimoniais e filiações ilegítimas.
A inquietação moía-me os neurónios e comecei a cirandar pela sala, saltitante na tentativa de adivinhar,  onde te perdes de pensamentos, pior, de sentimentos, tão ausente nesse teu olhar perdido? Se me visses e ouvisses, havias de rir, pois quem estava perdida era eu, perdida no labirinto das hipóteses desalinhavadas que a minha mente urdia, na criatividade do medo e da suposição.
Bem queria aproximar-me, mas receava não aguentar o regresso do teu olhar, interrompido na sua lonjura. Bem receava aproximar-me, mas precisava de saber como regressariam os teus olhos desse lado outro, longínquo.
Dei mais umas voltas pela sala, como se o tagarelar dos sapatos no chão de tábua cor de caramelo me fosse um calmante imprescindível, ou melhor, um conselheiro essencial, o supra-sumo da razão,  na (urgente) hora de agir.
Posicionei-me atrás do sofá em que te recostavas, aproximei-me com cautela da tua nuca, desembainhei as mãos dos bolsos das jeans - não sei bem porquê, mas quando estou nervosa começo a enrolar as mãos nos bolsos -, esfreguei-as nas pernas das jeans, para secar algum resto de suor imaginário, e comecei a minha cena da tua ressuscitação, sem saber quem esperar de volta. Soltei as mãos no teu pescoço, num movimento descendente, lento, suave, como água morna deslizando sem pressas, detive-me o tempo de abrir os primeiros 3 botões da tua camisa azul, não contando com o do colarinho e o seguinte, esses já abertos e libertos da gravata, evoluí até aos ombros, parei nas omoplatas, regressei à nuca e continuei, em deambulações aparentemente sem tino ou destino certos, tal como tinha andado na passadeira que media a distância entre os teus olhos e o objecto da sua perdição. Isso sim, com grande suavidade e perfeita cadência, que me levaram a semicerrar os olhos, enquanto sentia os teus músculos derreter sob as minhas mãos.
Sobressaltei-me quando as tuas mãos prenderam as minhas num abraço forte e viraste a cabeça para trás, trocando os teus olhos nos meus. 
Não perguntei, em que estavas a pensar?, mas respondeste, sabes em que estava a pensar? Sorrias, ao mesmo tempo que me puxavas para ti. Que interessa isso?, pensei, mas não respondi, apenas um sorriso, e tu disseste... 
Não sei o que disseste, mas as palavras tinham-se tornado o absoluto da desnecessidade.
 
    
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

ALMAS ROUBADAS

Por vezes, dou comigo a roubar almas, almas desprevenidas, expostas na singeleza,  no cansaço, na tensão, no esquecimento ou no abandono de corpos-cápsula.
Verdadeiramente, são almas que não estão lá, quero dizer, nos corpos-cápsula. Não estão lá, porque já não estão lá ou porque, naquele momento, não estão lá ou, então, estão lá mas não querem, não deviam ou não mereciam, o que é outra forma de não estarem lá.
Portanto, bem vistas as coisas - e passo a corrigir-me -, não se trata de roubo.
Trata-se, apenas, de apanhar almas que vogam por aí! Não com intuito de apropriação, mas por mero comando de empatia. E não deixo de as restituir!
 
À senhora muito idosa, que, na sua leveza intemporal, se confundia com as maravilhosas flores dos Butchart Gardens, em Vancouver Island, Canadá (2004). Quem sabe não seria ou não estaria em vias de se converter numa delicada Fada das Flores!? 
 
 
Às mulheres tristes e cansadas de Tallinn (2005), (in)pacientes na espera do transporte público, enquanto imersas  no desencanto ou na zanga doutras esperas por cumprir.
 

 
Às idosas desamparadas de S. Petersburgo (2005), apanhadas nas malhas da transição do comunismo para o capitalismo, que lhes roubou a garantia duma subsistência mínima, oferecendo-lhes, em troca, a liberdade de mendigar.
 

 
À frágil e muito idosa senhora, que, algures na Bulgária, corria o ano de 2006, se propôs vender flores à porta do autocarro de turismo, oferecendo a doçura e a inocência dum sorriso de menina. 
 
 
Ao  homem pensativo, que procurava limar as arestas da dúvida e apaziguar o cansaço da vida, no recolhimento duma deslumbrante Mesquita de Istambul(2009).  
 
 
Àquela senhora de olhar ausente, perdido de infinitos, materializada num banco de jardim, na marginal de Split (2011), através da presença do seu pequeno companheiro-cão e da carteira, sentada a seu lado, feita seu eco-sósia.
 
  
Ao homem estacionado na esplanada dum café de Liubliana (2011), entregue à azáfama de pensamentos vários, talvez banais, talvez não.  
 
 
À caminhante solitária dos caminhos austeros dum recanto da Islândia (2014), quem sabe se recordando percursos menos solitários. 
 

 
 
 
 
 
 


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

GOLDEN VISA!

 
Isto é, porventura, a minha homenagem aos deliciosos bombons Ferrero Rocher. Ou talvez não. Vá-se lá saber!
 
 
É tudo! Por agora.
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O MENINO DOS MEUS OLHOS


esses teus olhos
que belos são esses teus olhos!
não digo, são janelas
não pergunto, o que vêem?
digo, são estradas

são estradas, esses teus olhos
ligam os pontos do infinito
são dois, os pontos do infinito
haviam de coincidir
não fora a estrada dos teus olhos
quando olham os meus e quando não
 
que o infinito devolve-se
encontra-se no caminho
na estrada dos teus olhos
tingida de franjas, menino
meu lindo menino









 
 
 
 

sábado, 8 de novembro de 2014

E VAIS E VENS E...

 
seda-brilho, calma 

aceno de asa-cisne, elevação

flor da liberdade, por aí

falsa partida, apenas fingimento
 
grande regresso, encenação

de novo, o fingimento

questão de sedução-I

questão de sedução- II

questão de sedução - III


retorno, desmistificação



sábado, 1 de novembro de 2014

A IMPORTÂNCIA DAS SOBRANCELHAS

 
Há quem diga que sim, que o desenho das sobrancelhas tem suma relevância na definição da expressão facial. Vá-se lá saber!