segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

2015: PREVISÕES


Apesar do título, aliás, por causa do título, devo avisar que não sou astróloga, pelo que, caso as previsões venham a revelar-se erradas, declino, desde já, qualquer tipo de responsabilidade. 
 
Então, em 2015, Portugal será assim: 
  • O presidente da República irá ser um senhor dado a estados vagais e a comer bolo rei de boca aberta, chamado Cavaco Silva, que, segundo consta, entrou para a política, por assim dizer, activa, devido à rodagem duma viatura, vai para cento e cinquenta anos;
 
  • O destaque da sua actuação irá para a não dissolução da Assembleia da Republica, a não objecção a qualquer diploma emanado do governo, e um mutismo quase absoluto, ao menos até que estoire a 3ª guerra mundial (e só se fizer muito barulho);
  • A responsabilidade do Governo recairá sobre os ombros dum senhor de nome Passos Coelho, coadjuvado por um vice, chamado Paulo Portas (outrora conhecido por Paulinho das feiras), embora, na prática, o seu comportamento venha a suscitar sérias dúvidas sobre se, afinal, fará ou não parte do Governo, sendo, todavia, certo que sim, que fará, como, curiosamente, (também) o seu comportamento se encarregará de demonstrar;
 
  • Tais responsáveis governamentais, face à inexistência de mais empresas públicas rentáveis - todas privatizadas ou tornadas empresas públicas doutros Estados, v.g., a China -, irão promover a privatização da Plataforma Continental/Zona Económica Exclusiva e da Barragem do Alqueva; 
  • Lá para Outubro - que isto não é a Grécia! -, haverá eleições legislativas, das quais sairá um novo governo (não confundir com governo novo!), devendo a pertinente responsabilidade mudar de ombros, com a consequente rodagem de boys/girls e afins;
  • Esse evento será precedido duma longa fase de agitação e desnorteamento político-partidário, em que os vários partidos em jogo apostarão nas mais alucinantes promessas, perante a indiferença (e impotência) de meia dúzia de portugueses(as), eu incluída, a crença e o entusiasmo duns tantos milhares (bem-aventurados), e o embrutecimento dos restantes.
  • Das miríades dessas promessas, salientam-se, a descida do IRS e do IVA para níveis nunca antes vistos, tipo, 2% neste último, a criação de reservas para velhos  e distribuição dos respectivos bens, pensões à cabeça, pelos jovens, mediante rateio, com base em parâmetros a definir, o pleno emprego, com possibilidade de escolha do posto de trabalho e respectivo salário, etc., etc., etc.;
  • Novidade será, pela negativa, o facto de os concorrentes não poderem contar com as contribuições do Dr. Ricardo Salgado (com outras contarão) e, pela positiva, o facto de passarem a presentear os pretensos apoiantes ou meros paspalhos que vão a todas, incluídos os emplastros, com telemóveis de última geração, em vez dos tradicionais (e rascas) esferográficas de plástico e calendários;
  • Esgrimir-se-ão muitos e variados argumentos entre os vários partidos e facções, tudo moldado em hábeis, mas batidas, coreografias de seriedade e sentido de Estado ou de exaltação e agressividade, mas nada passará de mais do mesmo, aquilo a que qualquer campanha já nos habituou; 
  • A tónica será a da promentira, novo vocábulo resultante da contracção de promessa e mentira, que tanto pode significar uma promessa falsa, como uma mentira proactiva, como quando se acusam os adversários de fazer o que nós fazemos, para induzir o esquecimento de que fomos nós que fizemos o que dizemos que os outros fizeram, sendo certo que nós fizemos, eles fizeram, nós faremos, eles farão, portanto, apesar da novidade do vocábulo, o resultado será idêntico ao verificado em anteriores eleições legislativas, a saber, um governo do arco da velha, perdão, do arco governativo, aliás, vai dar ao mesmo;
  • Não haverá uma maioria absoluta, porque o povo é parvo mas não tanto, ou melhor, uma grande parte do povo é parva, mas a outra, embora mais pequena, não tanto;
 
  • O partido de esquerda beneficiará duma expressiva subida, ficando, todavia, aquém do açambarcamento do poder, até porque rejeitará qualquer coligação (necessariamente) à (sua) direita, que isto de governar tem os seus custos ou então não;
 
  • O partido do Dr. Marinho Pinto ou Marinho e Pinto - esta dúvida atormenta-me, nunca sei se tem o e de permeio ou não, e entendo que isso deve ser esclarecido na campanha, sendo, mesmo, a única coisa que pretendo ver esclarecida - vai fazer muito basqueiro, para usar a expressão do outro, mas duvido que repita a proeza dos votos que o conduziram à indesejada Bruxelas, esse antro de boa vida e dinheiro fácil, como ele, in loco, constatou, e que pouco aguentou, apesar de ser pobre e ter uma filha a estudar no estrangeiro, coitado;
  • Um ex-dirigente do partido socialista e ex futuro primeiro ministro assistirá, mudo e quedo, ao desenrolar dos acontecimentos, enquanto aguarda que o seu lugar ao sol, como comentador político televisivo ou como qualquer outra coisa, talvez no estrangeiro ou num banco - recepcionista ou ex-futuro administrador? - finalmente brilhe;
  • Nuvens negras, desaparecidas este Natal, planarão sobre a cabeça dos vencidos até que decorra novo ciclo eleitoral, mas isso já será conversa para anos futuros;
  • Lá para o final do ano, o tal Sr. Cavaco Silva preparará a sua retirada, a fim de ir gozar a pobre reforma e os lucros da venda das acções do BPN para a quinta da coelha ou, então, figurando, como sapateiro, no Presépio vivo da D. Maria, sua senhora;
  • O engenheiro José Sócrates irá passar o Natal a casa, após ter deixado de receber visitas e encomendas, e de ver devolvidas 500 das 400 cartas que dirigiu a órgãos de comunicação social;
  • O seu antigo motorista será condecorado por relevantes serviços prestados à Justiça ou talvez já não ou ainda não;
  • O Juiz Carlos Alexandre terá um esgotamento nervoso;
  • O ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas emigrará para sítio incerto, pois não acredita na irrevogabilidade dos arquivamentos processuais;
  • As gorduras do Estado continuarão por descobrir e eliminar, a Justiça, ressalvada alguma aceleração à (contra a) esquerda, continuará a ser lenta e manhosa, o Serviço Nacional de Saúde continuará a desagregar-se, os professores continuarão a ser colocados seis a oito meses depois do início das aulas, o número  de boys e girls continuará a aumentar, a sustentabilidade da Segurança Social continuará a ... 
Bom, eu até previa mais umas coisas, mas isto já está muito longo, ninguém me paga e, para além do mais, Vocês estão fartos de saber como vai ser!

 

Nota: As imagens, à excepção da última, de minha autoria - foto dum cartaz, feita numa Manifestação, em Lisboa, em 02 de Março de 2013 -, foram obtidas em pesquisa Google. 





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