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terça-feira, 21 de maio de 2013

O MARTIM E A PROF.ª

 (... OU UMA QUESTÃO DE VALORES...)

Hoje, mal abri o FB, vi-me confrontada com uma inusitada quantidade de alusões a um tal Martim e a uma tal Professora Doutora, cujo nome não retive, aquele e esta, perfeitamente desconhecidos para mim e para o meu reduzido universo, onde o Prós e Contras, palco da cena, não entra. Acabei, assim, por ir parar a um vídeo ilustrativo do acontecimento, que me dispenso de resumir, pois, pelos vistos, qual última a saber, só eu o desconhecia.
Registei, a propósito, uma empolgada unanimidade de posts, likes e comentários, convergindo no, por assim dizer, endeusamento do Martim, e na, por assim dizer, demonização da Prof.ª Dr.ª.
É óbvio e inegável que o Martim revela um conjunto de qualidades que o tornam digno de justa admiração, com destaque para o espírito de iniciativa, o sentido da criação e aproveitamento da oportunidade, a visão de negócio e tudo o que isso envolve e se deu em denominar empreendedorismo. Ao que acresce – e não menos relevante - uma postura e desenvoltura perante as câmaras que também não são nada de desdenhar. Tudo isto, nos seus tenros 15 ou 16 anos e – importante – sem descurar os estudos.
Já não me parece tão óbvio e inegável que a intervenção da Prof.ª mereça as fustigadelas que a comunidade bem pensante se apressou, em uníssono, a aplicar-lhe, certamente num afã de defesa do politicamente correcto e/ou de determinada ideologia que vê com bons olhos o empreendedorismo, mas com maus olhos a  justa retribuição da força de trabalho sem a qual o empreendedorismo não poderia vingar.
Na verdade e tanto quanto me foi dado ver e ouvir (no curto espaço do referido vídeo), o que a Prof.ª fez foi questionar o Martim sobre a sua consciência social, ou seja, sobre um VALOR que, pelo facto de, por regra, andar demasiado afastado dos empreendedores e do empreendedorismo, não significa que não exista ou que não deva existir.
Poderia não o ter feito, para não estragar a festa; poderia tê-lo feito dum modo mais diplomático.
Mas fê-lo. E acho que fez muito bem!
Haja quem tenha a coragem de chamar a atenção para Valores fundamentais à DIGNIDADE HUMANA, ainda que para isso – mau sinal dos tempos – se sujeite à ira dos politicamente correctos (mais ou menos disfarçados).
Estou, pois, com o jovem Martim e, ao mesmo tempo, com a Prof.ª cujo nome não fixei. Até porque entendo que o empreendedorismo não tem de ser incompatível com a Dignidade Humana.
Também politicamente incorrecta,
eu.
 

sábado, 30 de julho de 2011

LÍDIA JORGE, AINDA

Por um feliz acaso de zapping, fui aterrar à pista da SIC Notícias, onde deslizava uma entrevista à escritora Lídia Jorge, pela mão do António José Teixeira.

Belíssima entrevista, por sinal.

Desde logo, foi conduzida e correspondida com a sobriedade própria de pessoas cultas, inteligentes, educadas e serenas (como julgo ser o caso dos intervenientes).

Por outro lado, a substância (das perguntas e das respostas, naturalmente, com o maior peso que, no contexto, estas assumem) não ficou atrás do estilo, sendo, a propósito, de salientar a riqueza  temática, que, para além do mais, incluiu, desde a situação política e social do País a aspectos culturais de ordem mais ou menos geral (v.g., o papel da Língua Portuguesa, inclusive, na redenção do País,  e a transformação do Ministério da Cultura em Secretaria de Estado), passando por questões mais concretas, caso dos atentados na Noruega.

Tratando-se da 2ª vez que ouvi a Lídia Jorge, também desta senti tal oportunidade como um privilégio, sobretudo, pela inteligência (organização e profundidade do pensamento), pelo posicionamento actual e realista, mas também por aquela maneira especial que ela tem de procurar as palavras, para com elas melhor servir as ideias (parece-me).

Achei particularmente interessante a metáfora da centopeia com alguns pés doentes (incapazes de acompanhar o movimento do todo), que encontrou para a Europa (UE, entenda-se). Poderão dizer-me que é óbvia ou fácil, mas eu responderei, ... mas só depois de inventada.

Idem, em relação ao comentário sobre os massacres na Noruega, no sentido de que têm de ser lidos como uma metáfora, cabendo aos sociólogos e às entidades policiais estudar o seu significado (possível eco doutros focos xenófobos).

Por vezes, a preguiça que me conduz ao zapping (única maneira encontrada de, cada vez menos, sobrevoar a televisão) acaba por ter um final feliz. Felizmente, é raro isso acontecer.