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segunda-feira, 10 de março de 2014

DRESS CODE: CASUAL CHIC WHITE


Uma amiga minha vai festejar mais uma década, quer dizer, mais um ano que completa uma década - havia de ser lindo, se fizéssemos 10 anos de cada vez, mesmo só um, às vezes, já custa, ou talvez não, depende da perspectiva e dos voláteis estados de alma, mas isto é outra conversa... - e estipulou para o evento o seguinte dress code: casual chic white.
 
Ora bem, isto - não o casual chic, mas o white - coloca-me um problema, não que não goste de branco, até tenho muitas e variadas camisas, t-shirts, camisolas e casacos de malha brancos, mas não me imagino em total white, quando penso nisso só me vem à cabeça um ovo cozido!
 
Assim, a festa está quase aí, e eu de puxar pela cabeça, a ver como hei de resolver o problema. Compro uma saia ou umas calças brancas e conjugo com uma das peças de cima em stock lá pelos armários? Compro um vestido branco? Não creio, não está tempo para comprar roupa dum um só uso! Por falar em roupa dum só uso, já me passou pela cabeça pedir um vestido de noiva emprestado, mas também não me parece, primeiro, porque, usualmente, não são casual chic, segundo, porque, tanto quanto sei, costumam ser religiosamente guardados, após passagem numa qualquer 5 a sec, quando não jogados fora em raivas post matrimoniais ou, sei lá, postos no prego ou vendidos em segunda mão, para saldar dívidas da crise - ou então não é nada disto e estou só a imaginar cenários ruins.
 
Até que, de tanto pensar, julgo ter encontrado a solução, qual ovo de Colombo: finjo-me de daltónica! Chego à festa com uma roupinha casual chic blue, a minha cor preferida, dirijo-me alegremente à anfitriã, começo a dizer parabéns, e a meio, quando ela e todos os outros me olharem num espanto de censura, por andar a violar códigos de vestuário, interrompo, abro muito os olhos, pestanejo como a Marilyn Monroe, quando fazia de ingénua, e exclamo, então o dress code não era total white?! Aí, dão-me todos o devido desconto, passam-me um bendito cocktail para a mão e que a festa comece...  
 
Agora - e não se vá dar o caso de a minha amiga aniversariante passar por aqui e desconvidar-me - devo esclarecer que era tudo brincadeira, vou, mesmo, cumprir o dress code e dançar até de madrugada, como se estivesse em Ibiza. Com sorte, não vou parecer um ovo cozido... Talvez pareça um copo de leite ou um gelado de iogurte... Who cares?
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

GUIÃO DUMA SEMANA PERDIDA


I-ANTECEDENTES
  • ENDÓGENOS: natureza de flor de estufa. Ressente-se com as variações climatéricas (e outras, mas não são para aqui chamadas), especialmente quando bruscas.
  • EXÓGENOS: acentuada descida da temperatura; frio súbito.  
II-DIAGNÓSTICO
  • Diz (o médico) que é sinusite ("sinosite", como já ouvi dizer, mas também já ouvi, viemos a S. Petersburgo, de propósito, para ver o "Hermitrage"). Põe-me a antibiótico e a outras coisas, designadamente, muito soro fisiológico (aquilo não é água?). Obedeço, encharco o nariz de soro fisiológico como se não houvesse amanhã (ou sede na terra). Desliza como álcool em boca de bêbado, desaguando na garganta, como álcool de bêbado no estomago. Presumo, pois não sou bêbada, ao menos até ver, nunca digas deste vinho não beberei. Só uma vez, no máximo duas (mas da segunda já não me lembro, é como se não existisse), apanhei uma bebedeira, chamava-se pifo, não sei se ainda se chama. Serviu-me de emenda (exceptuada a tal segunda que talvez não tenha existido). Não gostei nada de ter chegado a casa amparada, de me estatelar na cama e ver o tecto feito montanha russa, de cambalear para ir vomitar (várias vezes) e de, no dia seguinte, mal refeita, ter ido trabalhar em equilíbrio instável (não por cambalear, mas de pura má disposição e náusea). Um dia destes contei este eloquente episódio aos meus queridos sobrinhos-netos, com o objectivo de os desmotivar em relação a semelhantes extremos. Adoraram a história e fartaram-se de insistir para lhes contar como foi da segunda vez, mas, sinceramente, não me lembrava. Repeti a primeira e continuaram a adorar e a fazer perguntas. Espero que o interesse despertado não lhes dê para experimentar. E, já agora, que os pais não leiam isto.
  • Chego a casa, muito contente por começar a tomar o antibiótico (isto agora vai ser tiro e queda, a sinusite a dar o fora e eu livre para a evasão), preparo-me para me refastelar e continuar aquela magnífica peça literária que vai ser O Moleskine de Janete e eis que, certeira como uma faca afiada, ela me ataca o fundo esquerdo das costas, descendo pela correspondente perna. Já me vejo a caminho das Urgências quando decido fazer autodiagnóstico: ciática/hérnia discal desadormecida. Já cá faltavas, há tanto tempo caladinha! Posição mais confortável, cama. Remédio de urgência, saco de água quente. Horas, princípio do dia, lá para as 22H!
  • O estomago também resolveu não gostar muito do antibiótico. Grande seca. É bem verdade que uma desgraça nunca vem só e, pelos vistos, duas também não.
III-ESTADO
  • GRRRRRRRRRRR!!!
  • Subir pelas paredes (se pudesse).
  • Tirem-me daqui!
IV-REACÇÃO (sequencial)
  • Desmotivação; autocomiseração.
  • Racionalização: podia ser pior, ai podia, podia! Copo meio-cheio versus copo meio-vazio, qual (triste) livro de auto-ajuda (não sei porque se chamam assim, se fosse auto-ajuda não era preciso comprá-los, não? Talvez venda de ajuda fosse mais adequado...).
  • Auto-satisfação pelo predomínio da força interior e, também (principalmente), porque a sinusite parece estar a retroceder e a ciática dá mostras de reagir bem à terapia do saco de água quente.
V-OCUPAÇÃO
  • Um bocadinho de Facebook fora de horas (pelas madrugadas da tarde), distribuição de likes e partilhas (respectivamente, para me certificar daquilo que gosto, abolindo margem para dúvidas, e agenda para utilização futura, em ambos os casos, há quem use para outros fins) e distribuição de comentários (para me certificar de que existo, creio que comum à maior parte dos comentadores).
  • Dormitar, eventualmente, dormir. Nem esta coisa nem sequer a outra.
  • Ler um bocado (quase a acabar o livro começado na segunda-feira, quando esta seca começou).
  • Pensar, pensar sempre muito, ainda que nada de jeito. Pensar sobre isto duma perspectiva irónica.
VI-DESAFIO
  • Bora lá experimentar, talvez já consigas aguentar um bocado sentada, com o saco de água quente a acolchoar as costas, para escrever o pensamento dessa perspectiva irónica. Faz bem desabafar e, sobretudo, sorrir de si. Faço um smile (não sei se é verdade, nem reparei).
  • Experimento. Menos dores. Consegui!
VII-PROGNÓSTICO
 
Como diz o outro, só no fim do jogo, mas a verdade é que, até sábado (ui!, só falta um dia) tenho de ficar boa. Aguarda-me uma festa de Aniversário e mal posso esperar. Quero ir prós copos. Não até ficar como da outra vez, nem pouco mais ou menos. Uma vez chegou (se não foram duas, mas isso, como disse, não me lembro).