segunda-feira, 30 de maio de 2011

BIRDS

Estranhei tanto, mas tanto, bulício e fiquei desorientada, pois não atinava a detectar-lhe a origem. Rodei a cabeça e vi, não sem espanto, como se equilibravam, garbosamente, sobre os cabos. Eram eles, os pássaros-de-fim-de-tarde, num bem encenado ajuntamento, discutindo as peripécias do dia ou antecipando o programa nocturno  ou sabe-se lá o quê.

Lembro-me, agora, do tempo em que, sentada nas escadas traseiras da casa, não sem cúmplice companhia, acompanhava os seus movimentos baléticos e as suas conversas estridentes, antes de recolherem sabe-se lá onde.

Nessa altura, ainda não tinha a mania de capturar momentos ... com a câmara ...




sexta-feira, 27 de maio de 2011

ANDAM POR AÍ

A joaninha passeia, calmamente, pelo parapeito da minha janela


a pomba deleita-se num banho de azul


o não-sei-quê balança, ousadamente, na ponta dum galho, desafiando o abismo


as andorinhas debandam, freneticamente, porque é isso que costumam fazer


e o gato mira-me, fixa e altivamente, como só os gatos, deixando-me roída de inveja do verde dos seus olhos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

MAIS UNS VOTINHOS, S.F.F.


Os palhaços continuam a actuar, prestando-se a tudo e mais alguma coisa por mais uma mão-cheia de votos.
Desta feita, aos microfones da RR (grande admiração), o Dr. Passos Coelho terá admitido alterar ou rever ou avaliar – já ouvi todas as versões, mas, no essencial, qualquer delas vai dar ao mesmo – a lei da interrupção voluntária da gravidez ou, em português politicamente incorrecto, a lei do aborto.
Da (restante) direita oficial ou oficiosa – Portas e Sócrates – à esquerda caviar ou durona – Louçã e Jerónimo – todos acorreram, vociferando os esperados argumentos.
Os argumentos dos filmes deles, que o nosso, do cidadão comum, é bem diferente, aliás, nem é um filme, são vidas reais, ameaçadas pela decadência a que este (ainda?) País foi conduzido pelos palhaços alternados, com a passividade e/ou conivência dos macacos amestrados.
Cá para mim, entendo que a questão em causa tem tanta oportunidade como, sei lá, como - parafraseando o outro - a discussão dos pentelhos.
Isto não envolve qualquer juízo (de sentido positivo ou negativo) sobre a dita lei.
Já envolve um juízo claramente negativo sobre este tipo de campanha eleitoral, em que tudo serve, menos o que importa, para fintar as sondagens, ou seja, para conseguir mais uns votinhos.
O essencial, o que seria relevante discutir, seriamente, para sairmos do buraco em que estamos mergulhados até à testa, isso é alegremente varrido para debaixo do tapete, até dia 5 de Junho.
O grande problema é que, depois desse dia, a realidade vai ganhar pernas, sair do esconderijo e invadir-nos com toda a violência.
Até lá, venham os bombos e os palhaços e aplaudam os macacos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

MACACA, EU?

Ele é o adiamento da publicação de nomeações para dirigentes de cargos intermédios da Administração Pública (certamente muito necessárias ao eficaz funcionamento dos serviços, tá-se mesmo a ver ...);

Ele é o anúncio das maravilhas da execução orçamental, a caminho da gloriosa redução do défice (certamente por mero acaso, lançado no dia do pai de todos os debates, embora, com protagonistas destes, mais valesse sermos órfãos ou perguntar ao paizinho do défice se, afinal, já não iriam ser necessárias as medidas troikianas, coisa que, como tantas outras, o jornalista/mediador de serviço não perguntou ...);

Ele são mais umas dívidas que não são relevadas nas contas públicas, embora com a garantia do sr. (talvez) engenheiro Sócrates de que não vem daí nenhum mal ao mundo, pois se trata de receitas do Estado (certamente na convicção de que não precisamos de saber a razão da retenção, por parte dos serviços devedores, convicção deveras acertada, até porque saber de mais é cansativo e obriga a puxar pela cabeça e, vai-se a ver, se calhar nem cabeça temos ...);

Ele é o PR que, num assomo de patriotismo, veta o diploma que, pasme-se e adivinhe-se porquê, cria um regime remuneratório especial (quer dizer, mais dinheirinho público a voar dos nossos bolsos) para os trabalhadores da CADA (certamente porque são fantásticos e, também, porque é preciso redistribuir aquilo que se tirou aos outros e vai tirar-se aos pensionistas e sabe-se lá que mais, que ainda a procissão vai no adro ...);

Enfim, ele é mas é a p. dum grande circo, em que a encenação/orquestração está a cargo duns grandessíssimos palhaços e nós, o povo, figuramos no espectáculo como macacos de última categoria.

E há-de ser bem feito que assim continue, caso os palhaços de serviço não levem uma grande corrida no próximo dia 5 de Junho!

Chato é que, como aquilo que se diz do justo e do pecador ou da água, da rocha e do mexilhão, os macacos que se puserem a jeito possam vir a amarrar (fazer pagar ou lixar-se) os outros macacos.

Então, pela minha parte, abaixo os palhaços e os macacos idiotas!

(Estou mesmo a ouvir um palhaço e um macaco idiota - dá no mesmo - a perguntar se isto das cores é por causa dos clubes de futebol ... Daha, claro que não, mas também não explico, adivinhe quem tiver dois dedos de testa! 



segunda-feira, 23 de maio de 2011

SENTIDO DE HUMOR

Tenho-me apercebido de que, as mais das vezes, o meu sentido de humor não chega a atingir os meus  interlocutores, o que é grave, qualquer coisa como uma faca que não corta ou uma bicicleta que não sai do sítio. 
Dou comigo a interrogar-me se será demasiado hermético, cáustico ou se, pura e simplesmente, dele sou destituída. Afinal - racionalizo - não pode existir um Ricardo Araújo Pereira em cada um de nós!
Também admito tratar-se de mero problema de comunicação, o que também é grave, pois o humor é, naturalmente, uma forma de comunicar.
Apesar da tortura destas dúvidas - ou, talvez, por causa dela - tomei uma decisão: de cada vez que usar o meu (hipotético) sentido de humor, vou acompanhar com legendas, afixadas na testa. Se resultar, já só preciso de melhorar o código comunicacional.
Isto era a brincar, ok?

domingo, 22 de maio de 2011

OSTRACISMO

Ao chegar à Costa da Caparica, um pouco antes do cruzamento dos semáforos, reparei num enorme painel, anunciando um tal CANTINHO DA PAZ.
Distraidamente, pensei para comigo, olha, não sabia que já se fazia publicidade aos cemitérios!
Um olhar mais atento rapidamente me resgatou da distracção, elucidando-me sobre a verdadeira natureza da coisa; tratava-se, afinal, de uma casa de repouso ou lar da terceira idade ou lá como é que se deu em designar estes locais.
Mesmo assim, na minha cabeça, continuei a fazer uma leitura desviante, traduzindo cantinho da paz por vai morrer longe e não chateies.
E não consegui sair desta! Antes de mais, cantinho transporta uma conotação de ostracismo, de chega para lá, que, nem a pretensa doçura do diminutivo disfarça, antes revelando a típica falta de coragem de quem não consegue dizer, pura e simplesmente, canto. Já o da paz que se lhe segue encerra a ideia de quietude, no sentido de inacção.
Ocorreu-me, então, que o criativo inventor daquela designação merecia o prémio publicitário idiota do ano.
Na verdade, não estou a ver que alguém, lá por ser velho (ou, sobretudo por ser velho?), possa estar interessado em exilar-se, quieto, num qualquer canto. Isto, é claro, se estiver no seu juízo perfeito e, obviamente, se estiver vivo – na acepção introduzida por uma célebre VIP da nossa praça e que aqui cobra tão apropriado significado, segundo a qual, estar vivo é o contrário de estar morto.
Só depois, certamente num assomo de lucidez, pensei que, às tantas, o anúncio era dirigido, não, propriamente, aos velhos, mas às famílias dos velhos.
E, na minha cabeça, martelou, com mais força, a leitura vai morrer longe e não chateies, apesar de, como é óbvio, compreender que não foi esta a mensagem que o criativo pretendeu fazer passar …

quarta-feira, 18 de maio de 2011

SOU LORPA, OU QUÊ?

Tão queridos que eles são, a fazerem o favor de conceder um empréstimo, a pagar pelo POVO PORTUGUÊS, à módica taxa de quase 6%, sobretudo em favor dos pobres BANQUEIROS, coitadinhos! E que contentinhos estão estes AGIOTAS, eles que tanto empenho mostraram na AJUDA EXTERNA (também eu, se fosse para mim) e que tão satisfeitos ficaram com os termos do ACORDO (também eu, se recebesse e outros pagassem por mim), como se viu, entre outras, pelas declarações de SATISFAÇÃO do beato (acho que o gajo tem cara de beato ...) S. ULRICH! AGORA (MAIS) A SÉRIO: Os bancos não são instituições privadas (excepção feita àquele cujos PREJUÍZOS foram NACIONALIZADOS)? O seu fim não é ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE O LUCRO, para mais, um LUCRO DESMEDIDO, visto se tratar, por natureza, de uma actividade de AGIOTAGEM? Esse lucro não reverte a favor dos ACCIONISTAS (BANQUEIROS)? Esse lucro não é tributado a taxas bem inferiores às de rendimentos de ACTIVIDADES MAIS NOBRES, COMO SÃO OS provenientes do TRABALHO e de EMPRESAS PRODUTIVAS (DE BENS E SERVIÇOS, QUE NÃO DE LUCROS USURÁRIOS)? Eu, PESSOAZINHA COMUM, não vou ser, mais uma vez, penalizada pelo ACENTUADO DECRÉSCIMO DO MEU RENDIMENTO (QUANDO NÃO CESSAÇÃO, EM CASO DE DESEMPREGO), em várias frentes, como se o (des)governo - agora, com a "protecção/desculpa" dos "troikos" - ATINGISSE, DE RAJADA, tudo o que há para atingir (corte de salários/pensões, aumento de impostos, redução/extinção do Estado social, etc., etc., etc.)? Digam-me, por favor, ESTOU ENGANADA? ... Bem me parecia (que não). MAS, então, será que SOU LORPA? Uma coisa é certa: SINTO-ME IMPOTENTE, INDIGNADA E REVOLTADA. E, se todos se sentissem como eu, O PRÓXIMO DIA 5 DE JUNHO IRIA MODIFICAR, DEFINITIVAMENTE, A FACE DESTE PAÍS. Mas - como sabemos, infelizmente, sem surpresa - não é nesse sentido que as sondagens apontam. NÃO SE ADMIREM, POIS, QUE, DENTRO EM BREVE, OS JERÓNIMOS, A TORRE DE BELÉM E POR AÍ FORA VENHAM A SER PENHORADOS ÀS ORDENS DUMA QUALQUER KAISER MERCKL. Já que PENHORADOS E "FUCKED UP" JÁ NÓS, PAGADORES DA CRISE, ESTAMOS, HÁ MUITO TEMPO, NA BOLSA E NA DIGNIDADE! E, PARA MUITOS, NA PRÓPRIA VIDA!

(Produzi e publiquei este texto, na minha página de FB, no passado dia 12. Hoje, a sua actualidade vê-se reforçada, mediante a divulgação da notícia de que o BANCO DE PORTUGAL -  instituição que tanto jeito tem dado aos sucessivos governos de direita e de falsa esquerda e aos prezados banqueiros -  autorizou os bancos a modificarem, UNILATERALMENTE, as condições de empréstimos em curso)