segunda-feira, 4 de julho de 2011

"NOBRE" DERIVA

O homem não atina mesmo, parece um mecanismo de funcionamento enviesado e retardado.

Agora, que decidiu renunciar ao cargo de deputado, é só esperar pelas próximas eleições, para ver a que lugar vai candidatar-se, a que partido vai oferecer-se, que tiro vai inventar, que imprescindível disponibilidade para servir o País irá prometer, etc., etc., etc..

Isto, se entretanto não for presenteado com qualquer apetecível cargo público ... 
Não me admirava nada.

E lá pela AMI, será que está tudo bem? As finanças, a gestão?
Eis uma dúvida que me invade desde a 1ª candidatura do homem à (ida) presidência da República.

Mas lá que não faz falta nenhuma como deputado, lá  isso é verdade. O que, aliás, também é válido para a maior parte dos deputados.


sábado, 2 de julho de 2011

PROMESSAS FATAIS/SÓCRATES 2

Hoje fiquei na dúvida: será que o sr. Cavaco Silva sabe o significado do vocábulo fatalidade
É que, segundo noticiado pela TSF, ele terá referido que o novo imposto extraordinário (e é mesmo extraordinário, um tal imposto ...) não é uma fatalidade.
Ora, pergunto eu, se não é uma p. duma fatalidade é o quê, um presentinho de Natal?
Seja lá o que for, não deixa de consubstanciar a primeira grande mentirola do sr. Passos Coelho, que, há bem pouco tempo, afirmava, categoricamente, que:
  • não iria aumentar a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho, visto tal ser incomportável, dado o elevado peso fiscal que sobre os mesmos já impende; 
  • não iria mexer no 13º mês. 
É claro que isso foi antes das eleições e, como tal, não era para ser tomado a sério, mas o facto é que  deve ter havido quem acreditasse, a avaliar pelos resultados eleitorais ...
Cá para mim, e com muita pena minha, esta foi apenas a 1ª dum (anunciado) cortejo de mentiras, uma das quais deverá ser a de que o dito imposto  se destina  a vigorar este ano.
Pois, pois, para o ano deverá incidir sobre o subsídio de férias, se ainda houver subsídio de férias ...
Aliás, para o ano, deve mesmo continuar, a pretexto duns quaisquer números publicados pelo INE, quiçá extensivo à totalidade do 13º mês - eufemismo para disfarçar uma realidade bem mais vasta, que abrange não só outros rendimentos, v.g., os provenientes de rendas (vivam as medidas em prol do arrendamento!), como os rendimentos de trabalhadores que não auferem o dito subsídio ...
O que vale é que é um imposto que só atinge os ricaços deste País, quer dizer, os que ganham fortunas acima dos quatrocentos e tal euros.  
  

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A FELICIDADE DUMA KAISER

A Sr.ª Merkel manifestou-se, hoje, muito feliz - MUITO FELIZ, repito - com a aprovação do novo plano de austeridade grego! Tanta felicidade, explicou, deve-se ao facto de entender que o dito plano vai ser muito bom para as finanças gregas e para a zona euro.

Ela lá saberá porquê, porque é que o ESTRANGULAMENTO ECONÓMICO E SOCIAL DE UM POVO pode ser bom para alguma coisa ou para alguém, sobretudo, para o Povo atingido. Excluídos S. Exs.ª os mercados e os beneficiários da venda a retalho e ao desbarato do património grego, of course. Esta parte eu consigo entender.

Ora, quanto mais não fosse por uma questão de RESPEITO pelo Povo grego, que, tão desesperada e agonicamente, se debate com a dramática situação do país, a dita Sr.ª deveria abster-se de manifestar felicidade. E, não sendo por respeito, haveria de ser por VERGONHA.

No caso, a expressão deste sentimento demonstra a mais absoluta falta de empatia e o mais elevado grau de inépcia emocional que alguma vez se viu.

Pior, consubstancia a mais cristalina demonstração dos (des)valores que estes líderes mundiais prosseguem, a saber, a absoluta e descarada primazia dos altos interesses económicos de meia dúzia de pessoas sobre os (para eles, irrelevantes) interesses atinentes à vida e à dignidade de milhões de outras pessoas, reduzidas à condição de verdadeiros escravos.

A NEGAÇÃO, PURA E DURA, DE QUALQUER RESQUÍCIO DE HUMANISMO, PORTANTO!

Nada a que, noutra variante, não se tivesse assistido no estado da sr.ª Merkel, há apenas uns sessesta e tal anos.

Aliás e de um modo geral, entendo que essa sr.ª deveria, pura e simplesmente, PARAR DE EXPENDER COMENTÁRIOS, de resto, quase sempre acompanhados de arrogantes juízos de valor, sobre o caso grego e, já agora, sobre o caso português, como tem vindo a fazer.

Não porque não tenha o direito de se pronunciar sobre esses casos, mas porque NÃO TEM O DIREITO DE SE PRONUNCIAR NOS TERMOS EM QUE O FAZ, ou seja, como detentora duma qualquer autoridade sobre estes Países, hipoteticamente legitimadora duma descarada ingerência nas suas vidas, quer dizer, NAS NOSSAS VIDAS.  

Quer ela queira quer não, quer ela saiba quer não, trata-se de PAÍSES INDEPENDENTES.

E se não sabe, alguém deveria fazê-la saber: AS AUTORIDADES DOS PAÍSES EM CAUSA, ATRAVÉS DOS CANAIS DIPLOMÁTICOS COMPETENTES!

Estas autoridades têm, igualmente, a obrigação de por em prática, ou apoiar os interessados a por em prática, mecanismos de RESPONSABILIZAÇÃO, EM SEDE PRÓPRIA, dos responsáveis ALEMÃES pelos ELEVADÍSSIMOS PREJUÍZOS CAUSADOS A AGENTES ECONÓMICOS NACIONAIS E À ECONOMIA NACIONAL, originados na falsa imputação da origem da bactéria causadora de algumas mortes.

Um Governo que CUMPRISSE ESTES DOIS DEVERES DE ESTADO mereceria, certamente, o meu apoio.

Uma Comunicação Social que abrisses espaço de questionamento a estes aspectos, em vez de se limitar a dar tempo de antena à sr.ª Merkel, mereceria, certamente, o meu apreço.

A sr.ª Merkel irá, certamente, manifestar a sua felicidade pelo (1º) plano de austeridade apresentado pelo nosso governo e pelo tempo de antena acrítico que a nossa comunicação social lhe atribui.



  

AMORES DE VERÃO

Aproximei-me devagar, cautelosamente
Lambeste-me os pés, a medo
A medo, eu, entenda-se
Não fosses estar frio ou, mesmo, muito frio
Mas não, continuaste a lamber-me os pés, as pernas, por aí acima
Até nos confundirmos num delicioso mergulho
Que estavas tudo menos frio
E eu já ia quente
Quando ao teu encontro
Desceste por mim até aos pés
Novamente os pés
Afastei-me
Satisfeita, disposta a repousar
Vieste tú, o outro
Acariciaste-me as pernas, os braços, até a barriga,
Pela primeira vez em muitos anos, esta, a barriga
Depois, as pernas, os braços, as costas,
Estas, pela primeira vez em muitos anos
Senti-te com prazer
Olhei-Vos, a ambos, deleitada
Passei a tarde nisto
Entre um e o outro
Olhando-Vos, desfrutando-Vos
Contente e agradecida
Não sei como conseguiria viver sem Vocês,
Não sei, mesmo, se conseguiria viver sem Vocês
Meus desejados
Mar, Sol!


sábado, 25 de junho de 2011

"SENSIBILIDADE E BOM SENSO"

Ontem, Palácio da Pena, Sintra.

Comento para a Inês, que o Rei D. Carlos, penúltimo rei a habitar o palácio e penúltimo rei de Portugal, tinha sido assassinado.

Antes de ter tempo para  prosseguir com a explicação, logo a pergunta salta, curiosa e sobressaltada, porquê?

- Porque havia uns senhores que não queriam mais reis em Portugal, pretendendo substituir a monarquia pela república, regime em que, em vez de um rei, existe um presidente da república, respondi.

- E era preciso matá-lo, não bastava dizerem-lhe, vai-te embora?!

Assim me respondeu a Inês, com uma sombra de alarme nos seus imensos olhos negros, habitualmente tão dispostos ao riso e à despreocupação.

Do alto da inocência e clarividência dos seus 8 anos!

A visita continuou pelos jardins, onde foi possível apanhar flores vistosas, borboletas estacionadas e gatos passeantes, para enorme júbilo da Inês e do João (4 anos). E meu!












quarta-feira, 22 de junho de 2011

CÃO MEDROSO

Ia eu, por aí, muito descansada, quando um poderoso cão começou a correr e a ladrar, agressivamente, na minha direcção. Maldito!, pensei, o que quererás de mim, o que cheirarás de mim? E encarei-o. Firmemente. Então, ele, como se tivesse percebido algo obscuro na minha introspectiva interjeição interrogativa, estacou, calou-se, passou para o modo rosnar e foi recuando, não fosse eu começar a ladrar-lhe. Continuei a fixá-lo com determinação e ele encolheu o rabo entre as pernas, baixou os olhos e fugiu às arrecuas. Enfim, tinha-o dominado pelo medo. Tinha dominado o meu medo. Lixe-se o cão, pensei. E ele já ia longe, não fosse eu dar-lhe uma dentada.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

FERNANDO, QUÊ?

Como ninguém respondeu ao seu patético apelo, dêem-me um tiro na cabeça, ele próprio se encarregou de ir dando vários tiros no pé, salpicando, pelo caminho, o convidante. Nada que cause surpresa, apenas mais um reality show de 5ª categoria.

Depois, continuando no drama, ameaça que se manterá como deputado, enquanto entender que isso tem utilidade para o País.

Ora, eu, certamente na minha acentuada estreiteza mental e limitada visão política, sempre pensei que as coisas funcionavam, exactamente, ao contrário, ou seja, que o juízo sobre essa utilidade era pressuposto da apresentação da candidatura e que a subsequente eleição impunha o compromisso de assumir o cargo, AO SERVIÇO DO PAÍS, OBVIAMENTE.

Mas se o Sr. não está seguro de respeitar tal compromisso, quem sou eu para dizer o contrário!

Logo eu, que sempre achei espúrio e oportunista o surgimento de um tal personagem no nosso, já desgraçado, panorama político.

Por mim, os Drs. Fernandos Nobres da casa, quanto mais longe, melhor!