quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ABANDONO

Alguém quer fazer o favor de me explicar porque me deixaram aqui, tão só, abandonado e imprestável?




segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DEBATENDO-ME COM O(S) POLVO(S)

Pois foi, após ter estado estacionado na mesa de cabeceira uns dois ou três meses, que isto há filas para tudo, lá chegou a sua vez de ser lido.
Não pode orgulhar-se de ter proporcionado/merecido uma leitura entusiasta ou cativante.
Pelo contrário, revelou-se uma daquelas peças aborrecidas e não muito bem arquitectadas que a pseudo-literatura contemporânea, ou melhor, a indústria de vender resmas de papel em forma e com a designação de livro, tão exitosamente vem produzindo.
Com uma escrita sem brilho, umas quantas (excessivas) entradas iniciais (capítulos) dispersas por outros quantos cenários, sem o requerido fio condutor e agregador, uma trama debilmente estruturada e um desfecho óbvio (prematuramente adivinhado), terminar a sua leitura requereu boa dose de teimosia.
Em nome de quê? Pois, de fundamentar um juízo sobre algo que fora apresentado como um magnífico thriller (quem não gosta?) que, aliás,  promete ser um novo bestseller, isto, por comparação com o anterior livro (A Verdadeira História do Clube Bilderberg) do mesmo autor, o tão blogosfericamente famoso Daniel Estulin.

Todavia, nem tudo se perde (dos €23,00/FNAC e das horas de leitura, of course), porquanto em CONSPIRAÇÃO OCTOPUSS (A Esfera dos Livros, 2011), que assim se designa o romance, não deixam de ser enunciadas umas quantas reflexões bastamente atinadas sobre o mundo que passa, como é o caso das que passo a citar:         

"Interdependências humanas e intrincadas. Poder e riqueza. O antídoto perfeito para abater as multidões de mentes básicas influenciadas pelas necessidades elementares. O descontrolo financeiro mundial destruiria a riqueza e desumanizaria a população, transformando-a ainda mais do que já é num rebanho de ovelhas assustadas." (p. 25)

(Salta-me à ideia o facto de, desde o 25 de Abril, de desgoverno em desgoverno, ter vindo a ser assegurada, no nosso País, de forma tão básicaassustada quanto catastróficas são as suas consequências, a dominação do chamado bloco central ...)

"Pela minha experiência no campo, existem umas pessoas que entram e saem do governo, agentes, antigos agentes e gente da máfia, pessoas cujas capacidades são altamente valiosas e bem remuneradas quando trabalham para o lado errado." (p. 99)

(Hello!, secretas, ex-ministros empregados em empresas anteriormente sob sua tutela  ou miraculosamente transformados em banqueiros ou representantes de banqueiros ou doutros interesses da alta finança ..., é o que me vem ao pensamento) 

"- A política não é um fim, mas um meio. Tal como outros produtos de valor, tem as suas imitações. Tem-se dado tanta ênfase ao falso que o significado da verdade foi obscurecido, e a política acabou por ser sinónimo de egoísmo habilidoso e matreiro, em vez de um serviço sincero e honesto." (p. 271)

(Assaltam-me várias máscaras, com nomes tipo, Cavaco Silva, Durão Barroso, Sócrates, Passos Coelho, Paulo Portas ...)

Permanece, assim, a curiosidade de passar os olhos sobre A Verdadeira História do Clube Bilderberg, pois, não me considerando, propriamente, uma pessoa crédula, tenho tendência a acreditar em certas Teorias da Conspiração (aquelas que têm provas dadas, entenda-se).

Talvez venha a dar notícias a propósito (deste outro livro, claro!). 



    

terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A (MÍNIMA) FACE VISÍVEL

O caso BPN e a antevisão do que poderão vir a ser as privatizações que se seguem, a mando da troika e do sr. Passos Coelho e seu comparsa, sr. Portas, com a benção do sr. Cavaco, a herança de responsabilidade do PS e a incapacidade de reacção adequada e eficaz, por parte dos partidos ditos de esquerda, colocam-me, a mim, cidadã espoliada desta espécie de País ou Estado ou seja lá o que for, num estado de indignação tal, que não me permite ficar calada. 
Então, faço aquilo que posso, que é pouco e não servirá para grande coisa, a não ser para desabafar: MANIFESTO-ME, NO EXERCÍCIO DO MEU DEVER DE INDIGNAÇÃO. 
Assim, acabo de deixar, na minha página de FB, as palavras que passo a reproduzir:

"Alguém pode fazer o favor de me explicar?
Então o BPN foi dado, perdão, vendido aos angolanos ou ao sr. Mira Amaral (será, porventura, aquele que já vem do cavaquismo, fase I?) ou seja lá a quem for, por 40 milhões de euros, mas o Estado - para além daquilo que já lá meteu, à nossa custa, mas sem nos ter ouvido ou achado - ainda vai lá meter mais 500 mil milhões (ou 500 milhões?) de euros, bem como arcar com os custos das indemnizações dos trabalhadores a despedir e ficar com os activos tóxicos, quer dizer, com outro buraco sem fundo à vista?
Será assim? Ouvi bem?
A matemática ainda é o que era? É que, apesar de, nos meus tempos de Liceu, até ter boas notas nesta disciplina, NÃO CONSIGO COMPREENDER A MATEMÁTICA DESTE NEGÓCIO, ao menos enquanto 2 mais 2 for igual a 4.
E a DEMOCRACIA, quando passa a ser o que devia? É que, SE O FOSSE, IMPUNHA-SE:
- Por parte dos decisores políticos, ao abrigo do mais elementar DEVER DE PRESTAÇÃO DE CONTAS, uma CLARÍSSIMA EXPLICAÇÃO dos termos desta equação, com desenho, se necessário, para que os cidadãos - logo, contribuintes, logo, pagantes - ficassem completamente esclarecidos acerca dos RESPECTIVOS FUNDAMENTOS E BONDADE e, assim, pudessem reagir, nos termos que entendessem mais adequados;
- Por parte das entidades públicas/políticas competentes, um RIGOROSO APURAMENTO dos factos (acções ou omissões) que conduziram à situação que o BPN atingiu, sem que, aparentemente, as entidades de supervisão se tivessem dado conta, tendo em vista o APURAMENTO E EFECTIVAÇÃO DE RESPONSABILIDADES DOS CAUSADORES (por acção ou omissão, ainda que de vigilância/supervisão), aos vários níveis e títulos;
E, merecendo especial destaque (embora sendo um dos pilares da Democracia), quando passa a JUSTIÇA a ser o que devia, ou seja, quando encerra o processo alusivo ao caso, não de qualquer maneira - v.g., invocando falta de tempo para realizar diligências obviamente essenciais -, mas da maneira que se impõe? E esta maneira só pode ser uma: não se ficar, apenas, pela (mínima) face visível mas IR ATÉ ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS, AOS ÚLTIMOS CULPADOS, SEJAM ELES QUEM FOREM E QUE CONEXÕES TIVEREM, e APREENDER AS RESPECTIVAS FORTUNAS, por forma a minimizar, de alguma maneira, os sacrifícios que são diariamente exigidos aos cidadãos, com particular impacto, como é sabido, nas classes mais desfavorecidas, incluída a classe média-aliás-em-vias-de-extinção. E isso tem que acontecer RAPIDAMENTE. E, dadas as características do caso, NEM PARECE QUE, TECNICAMENTE, SEJA TAREFA MUITO ÁRDUA. Basta pensar que não se tratava de nenhum organismo fantasma, antes de um banco estabelecido no País, com órgãos sociais e respectivos titulares perfeitamente identificados. E não era só um, como é do conhecimento público.
E, já agora, quando é que NÓS, POVO, passamos a ser o que devíamos, ou seja, a EXERCER O NOSSO DEVER DE INDIGNAÇÃO E DE MANIFESTAÇÃO CONTRA ESTE ESTADO DE COISAS, COMEÇANDO POR EXIGIR A PRESTAÇÃO DE CONTAS QUE NOS É DEVIDA?"



domingo, 31 de julho de 2011

ABOUT GIANNI

Gianni e as Mulheres, eis o título de um filme que está por aí, apesar de ser Verão, quase Agosto.
Estabeleço esta ressalva, porque qualquer cinéfilo que se preze sabe que a época estival não é a mais propícia à qualidade dos filmes em cartaz, antes pelo contrário. Todavia, achei Gianni ... um filme muito bom.
Fala-nos da inexorável instalação da idade e da devastação que a acompanha, servindo-se do caso de Gianni, um sexagenário (62) reformado, com uma vidinha sofrível, que, espicaçado por um amigo, mas sem grande convicção, tenta recuperar o fulgor da juventude.
Se o consegue ou não, não conto, pois também não gosto que me antecipem o final dos filmes (ou seja do que for).
Acrescento, apenas, a seriedade (ou realismo ou lucidez) com que o tema é abordado, oferecendo-nos, sem misericordiosas contemplações, a ideia de  que, se há traço diferenciador entre os humanos, esse traço é o que divide os jovens dos menos jovens (e os belos dos menos belos).
Sem dramatismos, até com laivos daquele humor (aqui, mais na vertente irónica) típico das comédias italianas - trata-se, aliás, de um filme italiano -, como fica patente na cena em que a bela ragazza diz ao protagonista ter sonhado com ele, um sonho belissimo, e ele, com o brilho do sorriso luminoso  a desabar em abrupta sombra, quando ela, com toda a naturalidade deste mundo e do outro, encerra,- sonhei que eras meu avô.
Imperdíveis, também, a cena do jogo de cartas das velhotas e a do viagra ... 

Isto, como, por certo, se deixa perceber, é a opinião de quem não acha graça nenhuma ao aparecimento de mais uma ruga, de mais um grama ou de mais um pingo de flacidez, e que, consequentemente, fica sempre perplexa (no mínimo), quando aquelas socialites  que dão (ou vendem) entrevistas, perguntadas sobre esta (tão desagradável) temática, respondem, invariavelmente, algo do género: - isso não me incomoda nada, até gosto, pois cada ruga que me aparece é testemunha (elas não dizem bem assim, pois não falam desta maneira ...) de uma experiência de vida. Mas isto é o quê, estão a enganar-se a elas mesmas ou, apenas, a pretender enganar os outros ou, talvez, as outras? Inclino-me para a segunda hipótese, pois, normalmente, já estão carregadas de plásticas.

Não me parece, contudo, prejudicado que outro tipo de pessoas apreciem o filme, pois sempre poderão desfrutar, descontraidamente, da diversão que o mesmo proporciona. E, repito, sentido de humor não lhe falta.

Mudando de onda: sobre os tesouros que a juventude e a beleza podem proporcionar (certo tipo de tesouros, entenda-se), pode ver-se (pois é um filme que se deixa ver e apenas isso) Confissões de Uma Namorada de Serviço
Confesso que, neste caso, aquilo de que mais gostei foi da decoração dos interiores (a casa do casal e a loja em que ela compra aquelas sóbrias e bonitas roupas e acessórios, com que desfila pelo filme) e da pequena amostra do Soho de NY.  Quer dizer, gostei do bom gosto formal. 
E ainda gostei de mais um pormenor, o recurso pontual à música de rua, como componente da banda sonora.  



NHAM, NHAM ...

Quem andou a inventar que eu não gosto, não sei e não quero saber cozinhar (mas não tenho raiva a quem gosta e sabe, até agradeço e aprecio)?

A título de desmentido, seguem alguns dos pratos gourmet, que confeccionei, certo dia de Março passado, em plena Comporta.

ovo estrelado em manto de seda e pregas de caviar


caranguejo abandonado em pérolas de areia cremosa


ovo desfeito em cama de alto mar com bandeiras desfiadas



mousse de pé afundado em creme de champanhe



Agora, é só provarem e dizerem qual preferem (se for o caso, of course).