sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AINDA A PROPÓSITO

Ainda a propósito do meu anterior post, não posso deixar de chamar à colação aquele que aqui deixei em 2 de Julho passado, intitulado, PROMESSAS FATAIS/SÓCRATES 2.

É que o mesmo demonstra, à evidência, que, em certos casos e com certos personagens, A REALIDADE ULTRAPASSA, DE LONGE, A PREVISÃO, POR MAIS AVISADA QUE ESTA POSSA SER (que ultrapassava a ficção, já se sabia).

QUINTA-FEIRA, TREZE

Há pouco, disse-me um Amigo que tinha visitado o meu blogue, à procura de reacção à comunicação televisiva das oito e pouco de ontem.
Respondi-lhe que, apesar do estado de choque, não deixei de reagir, só que na minha página de FB. E, não pertencendo ele a este mundo virtual, prometi-lhe dar, aqui, eco do que lá deixei, no calor da noite e da revolta, por volta da 1 da matina.
Como não consegui - nem sei se é possível - copiar/colar a dita publicação, passei-a à mão - descobrindo, com surpresa, que ainda consigo escrever dessa forma - e aqui a transcrevo.
Dá um bocado de trabalho, mas o que não faz uma bloguista interventiva e sem feedback para manter um, quem sabe se único, leitor, mesmo que não dado a tecer comentários? 
Então,  Caro Z. M., dedico-te o que segue, a ti e ao sr. Passos Coelho (com diferentes intuitos, mas isso tú sabes, não carece de explicação):

O calendário só pode estar equivocado, pois seguramente que ontem, dia 13, é que foi sexta-feira, sexta-feira 13, com toda a malignidade que costuma ser atribuída a esta data. Eu nem sou supersticiosa, mas lá que um MONUMENTAL AZAR se abateu sobre nós, lá isso é verdade!
Qual é o sentido duma tal PERSEGUIÇÃO AOS TRABALHADORES, em geral, funcionários públicos, em particular, e aos REFORMADOS? Será pura lógica capitalista ou incompetência pura, tal o desvario da artilharia orçamental?
Pergunto-me, também, a quem pode servir, no limite, a MARTIRIZAÇÃO DUM POVO.
Pergunto-me, também, quais os cânones ético-políticos daqueles comentadores da treta que, bem do alto das suas cátedras mediáticas, louvaram a enorme coragem do mensageiro? CORAGEM??? Coragem seria ter de viver nas condições mínimas que impõe aos trabalhadores, coragem seria ler a desgraçada comunicação perante uma assembleia de trabalhadores, por exemplo, ir ao encontro dos manifestantes do próximo dia 15 e explicar-lhes o que não explicou, ou seja, o fundamento da opção por estas medidas assassinas em vez doutras, v.g., de tributação dos rendimentos do capital e das grandes fortunas.
Só não pergunto que nome tem este MONUMENTAL AZAR, ele tem um nome e este nome (imediato) é GOVERNO DA REPÚBLICA.

Ilustro com a imagem infra, que criei há uns tempos, e a que, vá-se lá saber porquê, dei o nome de fight.




quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O RUÍDO DOS INOCENTES

Tenho-os visto e ouvido por aí, circulando em bandos, pelas bandas das Avenidas Novas, em alegre e ruidosa algazarra, como se o seu reino fosse a despreocupação, o seu motivo, a festa, a sua esperança, um horizonte longínquo, tão longínquo quanto desnecessário de antecipar, a sua filosofia, o dia, o dia e a noite, de preferência mergulhado em copos, não os copos da dor e do esquecimento, mas os da extroversão e do riso.

Aflige-me vê-los enrolados em camadas de roupa preta e grossa, mas isso é por causa do calor que abrasa por este Outono dentro, tanto contra o meu gosto e resistência.
Vislumbro neles a inocência, uma certa forma de inocência, ou será antes ingenuidade ou distracção ou falta de discernimento ou outra coisa qualquer ou nada disto ou, mesmo, o seu oposto?
Será que não se apercebem de quanto à rasca o País está? De quão à rasca irão encontrar-se na sobremesa dos canudos, a acreditar no corolário que os factos impõem?
Enfim, olho para eles com uma certa sombra, que é de apreensão pelo futuro, mas também de censura, por me parecerem revelar tão pouca consciência cívica – confesso, embora sabendo que isto cai mal e que, talvez e no mínimo, serei considerada demasiado exigente.
Então, há dias, a algazarra ressoa através dos vidros da janela, levando-me a abri-la e a espreitar.
São eles, as Meninas e os Meninos em preto afogados – e, seguramente, afogueados -, embora, desta vez, com um azul sobreposto, que se organizam em cortejo, a caminho de um qualquer destino.
Corro a apanhar a câmara fotográfica, disposta a captar o momento – o momento do seu contentamento, do seu intervalo lúdico e, quem sabe se lúcido – e eis que eles me captam, improvisando, de imediato, uma afinada serenata, acompanhada de palmas: menina estás à janela, com o teu cabelo ao vento, com o teu cabelo ao vento, menina estás à janela, men …
Vou disparando a câmara, no meio de sorrisos, enquanto a sombra com que os olho – olhava – se esfuma no nevoeiro da conciliação e o meu reino passa a ser o seu reino, seja ele qual for. Who cares?
Afinal o que eu, verdadeiramente, quero é que a Vida lhes depare muitas oportunidades e que eles as saibam agarrar, com o sentido de urgência, a competência, a generosidade e a alegria com que agarraram a minha ida à janela.



Felicidades para todos os Estudantes deste País!
E que, pelo caminho, não deixem de criar a necessária consciência cívica, para conseguirem inverter a síndrome geração à rasca.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

SONHAR NÃO CUSTA!

Chegou, finalmente, a hora de procurar base de sustentação para o exercício da pintura (até agora praticada em mero plano amadorístico, com muita abstracção à mistura ...). Assim, em Julho passado, frequentei um workshop de pintura de paisagem (na Sociedade Nacional de Belas Artes), em que, pela primeira vez, captei as luzes iniciáticas desta arte.

O resultado agradou-me, enquanto demonstração de que, afinal, hei-de conseguir criar imagens com a sugestão de diferenciação de planos (o que, obviamente, se presta à observação de que me contento com pouco ...).

Deixo, a seguir, duas modestas expressões dessa curta aprendizagem.





Quem sabe se, no futuro, não virei, mesmo, a saber pintar?

Já agora, deixo, também duas imagens produzidas à solta, ainda sem as amarras da formação, que, como tal, hão-de merecer (maior) desculpa.






Então, até à próxima (vernissage, Ah! Ah! Ah!).



     


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

HELLO, SR. CAVACO SILVA!

Não sei quantos dias - semanas? - depois de denunciado o - ou um dos? - buracos das contas públicas gerados na Madeira, veio o sr. em título - que, segundo me dizem, é o nosso (salva seja) presidente da República - pronunciar-se, em termos dos quais se retiram as seguintes ideias (?) chave:
1ª - O caso é censurável, pois coloca Portugal em causa, perante a comunidade internacional;
2ª - O Governo vai propor a criação de leis destinadas a prevenir que tal tipo de situações volte a ocorrer.

Ora é aqui que eu entro, para, a propósito, tecer dois singelos comentários, em jeito de interrogação:
1º - A censurabilidade do caso não advém do facto de o mesmo, em si, representar uma tão frontal e descarada violação de normas legais em vigor, quanto um tão abjecto desrespeito e, mesmo, desprezo pelos contribuintes?
2º- Então não existem já, na República, leis mais do que suficientes para prevenir a ocorrência deste tipo de situações, designadamente, em sede orçamental e de responsabilidade financeira, civil e criminal?  

Como sei que estou para aqui a falar sozinha, encarrego-me, também, de dar as respostas, que, em ambos os casos, são de sentido afirmativo, a saber:
1º - A gravidade do caso resulta, sim, da valoração ético-política que o mesmo não pode deixar de suscitar, pela violação do Estado de Direito em que se traduz; a imagem que exporta do País é mera consequência desta coisa primeira que é (ou deveria ser, no caso do sr. pR) aquele julgamento essencial
2º -  Sim, existem leis que bastem, pelos vistos, não há é quem cumpra o dever de as aplicar, motivo por que perdem a sua função preventiva.

E, agora, uma última pergunta: O sr. Cavaco Silva não conhece ou não tem assessores que lhe dêem a conhecer o panorama normativo nacional?

Entendendo que, também neste caso, a resposta só pode ser afirmativa, tenho de retirar a devida conclusão: o sr. Cavaco Silva, como a grande, grande maioria dos políticos que nos coube em desgraça ter, andam por aí a fazer de nós parvos, com a maior desfaçatez.

E isso preocupa-me, pelas razões óbvias, mas também - como, por certo, concordaria o sr. Cavaco Silva - pela imagem que projecta para a comunidade internacional, imagem de república das bananas - ou dos bananas?




  

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PRAIA, FOREVER

Quando, pelas sete e meia da tarde, o sol declara o seu cansaço e, todavia, nós, os humanos, insistimos em permanecer ...



Why not?

ABANDONO

Alguém quer fazer o favor de me explicar porque me deixaram aqui, tão só, abandonado e imprestável?