domingo, 30 de junho de 2013

THE SILLY SWAP FESTIVAL

 
 
É sabido que estamos em plena época de festivais ao ar livre e, já agora, que a silly season está mesmo ao virar da esquina.
 
A oportunidade para mais um silly festival não podia, pois, ser desperdiçada, o FESTIVAL SWAP, em que, amavelmente, se pretende dar música a este manso povo, com uma célebre banda, manhosamente conduzida por suas excelências os ministros das finanças do ex e do actual (des)governos, tudo sob o alto patrocínio dos principais partidos do "arco governativo".
 
Primeiro, tivemos direito a um processo muito interessante de ensaios.
 
Se bem me recordo, tudo começou com a demissão dum secretário de estado, não se sabia muito bem porquê, mas, veio a saber-se, porque, enquanto gestor público, terá alinhado na celebração duns contratos muito arriscados com a Banca (sempre a Banca...), em que, caso as taxas de juro baixassem, enormérrimos prejuízos adviriam para o Estado (sempre o Estado...).
 
Não me perguntem mais pormenores, pois não sou especialista nesta área e só me fixei nos milhões ou biliões ou triliões de euros, whatever it is, que, como portuguesa, seria chamada a pagar, certamente, em nome daqueles gestores públicos e respectivos tutores.
 
Depois, em doses bem calculadas, foi-se sabendo que o tal ex-secretário de estado não era o único (aqui, com acompanhamento da música, "não, não sou o único..."), e sucedeu-se uma quantidade de gestores, ex-gestores e contratos SWAP, chegando a rede, alegadamente, à própria secretária de estado do tesouro actual.
 
Pelo caminho, lembro-me de ter ouvido o primeiro ministro afirmar qualquer coisa do tipo, que esperava que os responsáveis assumissem as suas responsabilidades e se demitissem.
 
Achei esta afirmação deveras interessante, sobretudo considerando o facto das  empresas públicas se encontrarem sob tutela do Estado e de, neste País, inexistir o (saudável) hábito da prestação de contas  ( accountability) e, habitualmente, a Justiça não só tardar como falhar (v., a título de exemplo, caso BPN; no caso Freeport ficámos a saber, salvo erro 5 anos depois, que o processo fora arquivado sem que o eventual suspeito que, afinal, não o era, tenha sido ouvido, por alegada falta de tempo).
 
Entretando, deixei de seguir os ensaios, pois o barulho estava a tornar-se demasiado ensurdecedor e certos silêncios, ainda mais.
 
Eis senão quando sobe ao palco o ex-ministro das Finanças para afirmar que, em 2011, quando da transição de (des)governos, o seu sucessor tinha sido adequada e detalhadamente informado sobre a situação, o que, de imediato, foi desmentido por alguém do presente (des)governo (já nem sei quem) .
 
Neste ponto, apetece-me exclamar, - DAAH
 
Em resumo e conclusão: o anterior MF, responsável último pela situação, ao menos em termos políticos, atira as culpas  de dois anos de inacção para o actual, como se isso o isentasse da suposta culpa originária; o actual poder des(governativo), a ser verdade que conhecia a situação desde 2011 - vá-se lá saber, eles que se entendam -,  assobia para o lado, usa a informação quando lhe convém e descarta as responsabilidades todas no anterior; finalmente, nós, portugueses, não só somos indecentemente aldrabados, como pagaremos a factura, custe o que custar. 
 
Entretanto, não faltarão debates a discutir de quem é a culpa, enquanto o essencial passa à margem.
 
Dividir para reinar (neste caso, para baralhar e isentar de responsabilidades) sempre se revelou uma magnífica receita. Assim haja quem se deixe levar. E há!
 
E é isto, o verdadeiro SILLY SWAP FESTIVAL! 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

ABSTRACÇÕES


Qual será o resultado duma equação abstracta? Será 0 + 0 = 0?
 
 
 
 
 
 



 
 
 
 
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

PERFEITA SUSPENSÃO


Contemplo as brumas do mistério

Silêncio

Perfeita suspensão

Não contempla o Criador a Criação?

Estabeleço a distância

Criando o abandono

Crio ausência

Deixo-a consigo

Entregue à perda

Criação

A Criação contempla-me

Do longe

Da distância

Do silêncio

Afogada nas brumas do mistério








(Estas fotografias, que fiz na Praia Grande, Sintra, em 1 de Dezembro de 2012, serviram de  inspiração ao texto, que aguardava sair das brumas do esquecimento há não sei quanto tempo)




DIZ-ME!


O que diz o Mar?
O que dizes, Mar?
Soberbo, grave, poderoso
Espraias-te em margens próprias
Desenhadas por ti
Ultrapassas-te, permanentemente
Impossível conter-te no que és
Nem mais longe para onde voar
O que diz o Mar?
O que dizes, Mar?
Outro Mar, brilhando
Longínqua testemunha
Vais, voltas,
Eterno retorno
Chegar, partir
Partir, chegar
Repetição omitida
Não entendo o que diz o Mar
O que dizes, Mar?
O que diz o Mar?
O que dizes?
O que?
 
 
 
 
 
 
 
(Nota: Escrevi este texto na noite de 20 de Agosto de 2012, na Praia Grande, Sintra, com o mar em fundo;  Fiz as fotografias em 07 de Outubro do mesmo ano, também na Praia Grande)
 
 
 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

EU, ELES E O CINEMA


(Eles, aqui, são os portugueses, declarando-me eu apátrida.)
Quando vou ao cinema, faço-o com o estranho objectivo de ver um filme, num espaço simultaneamente anónimo e intimista, marcado pelo silêncio e a escuridão, assim uma espécie de templo de percepção, emoção e evasão.
(Não sei se me faço entender, mas agrada-me pensar que o Woody Allen entenderia, não fosse ele o magnífico criador de The Purple Rose of Cairo – 1985)
A qualificação, como estranho, desse meu objectivo, decorre duma análise de comportamento, a qual me leva a crer que, nas suas idas ao cinema, os portugueses não visam, própria ou necessariamente, ver um filme.
Pelo que tenho observado (e sofrido), sou forçada a concluir que eles vão ao cinema, acima de tudo, para:
a)    Comer pipocas e/ou
b)   Falar ao telemóvel e/ou
c)    Iluminar o visor do telemóvel (ou gadget equivalente).
Bem vistas as coisas, os portugueses não se limitam a comer pipocas, eles usam-nas como acompanhamento (quando não abafamento) da banda sonora dos filmes, com duas espécies de ruídos, em sequência cumulativa.
Então é assim: começam por revolver o conteúdo do balde, com ansiosa manápula (por vezes, várias manápulas ao ataque do mesmo), provocando o ruído anunciador, que se faz seguir de estrondosas notas de mastigação cavalar, susceptíveis de perfurar os tímpanos e estoirar com a paciência do mais pacífico dos espectadores, especialmente, em se tratando de mim, que, como já disse, vou ao cinema para ver um filme e, adito agora, nunca suportei bem esse tipo de rudes agressões auditivas.
Que o digam os meus sobrinhos, se ainda se lembrarem! Quando eram pequenos, se se dava o caso de mascarem pastilha elástica em estéreo, lá entrava eu, - então, meninos, está por aí algum cavalinho? Claro que o dizia com ternura, por serem quem eram e eu gostar muito deles. E o modo passava, de imediato, ao  silencioso, por entre sorrisos divertidos (deles e meu).
Ora, os consumidores de pipocas de que falo não são meus sobrinhos, aliás, não me são nada, nem concidadãos, pois, como comecei por referir, para efeito de situações como esta, não sou, definitivamente, portuguesa! Sou apátrida (nem sequer arrisco outra nacionalidade, não se vá dar o caso de lá também serem portugueses).
Por isso, nas salas de cinema, procuro o lugar em função da localização dos pipoqueiros. O princípio é, obviamente, quanto mais longe, melhor.
O pior é quando, estando já devidamente instalada e, quiçá, no decurso do filme, aparece alguém que, sabe-se lá porquê, talvez irresistível atracção, vem sentar-se perto de mim. E lá tenho eu de desempenhar o papel da malvada, levanto-me ostensivamente, dirijo o meu ar de desprezo n.º 1 ao inocente culpado (passe a contradição aparente), e procuro outro lugar.
Já alguns devem ter ficado complexados ou, sei lá, perplexos, a pensar que não regulo bem.
Agora os telemóveis. Apesar de (e contra os) pertinentes avisos, muitos portugueses recusam-se a desligar os TM, dos quais, suponho, se sentem mais próximos do que dos amores das suas vidas, ou têm os amores das suas vidas do lado de lá dos TM ou, então, não têm amores nas suas vidas, talvez seja mais isto.
E há-os de vários tipos.
Em primeiro lugar, aqueles que, se o TM toca, atendem para dizer que não podem atender, porque estão no cinema, mas, não vá ser o seu dia de azar e perderem a chamada da sua vida, ainda assim, não desligam o aparelho, deixando os circundantes numa inquietação permanente sobre quando explodirá o próximo toque. Esses, normalmente, falam baixo, mas não tão baixo que não sejamos obrigados a ouvi-los, pois, caso contrário, o interlocutor não iria perceber que estão no cinema …
Depois há os que atendem descontraidamente e sem moderação de tom, como se estivessem na sala lá de casa ou no café da esquina (por exemplo, - Eh! pá, tou aqui no cinema, a ver aquele filme ... e por aí adiante).
A uns e a outros, não me inibo de sibilar uns valentes chius, que, em regra, surtem efeito.
Existe, finalmente, uma terceira e não menos irritante variedade, a dos que passam a sessão obcecados com o ecran do TM, iluminando-o, pelo menos, de quarto em quarto de hora, espalhando aquela irritante claridadezinha pelos arredores, não sei se para verem e/ou enviarem mensagens ou, inclusive, para observarem as últimas fotos, se não para jogarem um joguinho qualquer.
A esses, definitivamente, tenho vontade de os esganar, até porque ainda não descobri como lidar com eles!
Já me ia esquecendo de mencionar um último fenómeno, também muito agradável, o dos portugueses que vão ao cinema com o objectivo determinado de pôr a escrita em dia (normalmente, grupos de três ou mais mulheres) e os que vão explicando ou comentando o filme entre si (normalmente, casais).
E, pronto, com estes portugueses, lá se vai a concentração e, com esta, vai-se a envolvência cinematográfica e, pior, as asas da evasão.
Enfim, vai-se tudo o que era suposto uma ida ao cinema representar. Ao menos, para mim e para o Woody Allen!
 
 
 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

VIVA A PLACA TECTÓNICA!

Sinto-me radiante com a notícia que ouvi há pouco na TSF: a da placa tectónica em formação (ou evolução ou desintegração ou lá o que é, não prestei grande atenção), que ameaça fazer explodir Portugal (ou qualquer coisa do género).
 
EIS, POIS, A SOLUÇÃO PARA A CRISE!
 
As reacções não se fizeram esperar:
    
  • O sinistro da volta ao mundo, Paulo Portas, prepara-se para anunciar, por intermédio dum betinho sombra, que tal fenómeno é fruto da sua laboriosa agenda internacional;
  • O 1º sinistro Gaspar insiste em que, mesmo assim, aumentar a austeridade dará melhores resultados;
  • O seu adjunto, Passos Coelho, concorda e aplaude;
  • O chefe, perdão, o paquete da oposição, António Inseguro, convoca uma conferência de imprensa para comunicar que irá pronunciar-se na devida oportunidade, pois o assunto requer adequada ponderação, acrescentando que não responde a perguntas;
  • O  Dr. Mário Soares reúne, de urgência (e antes que o Tó Zé possa pensar qualquer coisa para comunicar), um grupo de admiradores,  no Pavilhão dos Oceanos, porque pode tudo acabar num gigantesco tsunami;
  • Os troikos estão perplexos e interrogam-se, seiláseé ?  
Eis senão quando, um grupo de aplicados estudantes universitários, proclama, alto e bom som (com acompanhamento da tuna), que tudo não passa de um monumental erro de excel, assim desmentindo a prometida explosão e colisão com a Terra Nova.

OHHHHHHHHHH!

Lá se foi a salvação da Pátria amada (e nós com ela)!!!  
 
 

domingo, 16 de junho de 2013

ABOUT QUARTET

Sendo este "Quarteto" o primeiro filme realizado pelo Dustin Hoffman, é caso para dizer que instala em nós uma curiosa expectativa sobre o(s) próximo(s).
 
Trata-se duma abordagem elegante, leve (não ligeira), terna (não ternurenta) e divertida (nos limites da contenção que o melindre do tema impõe, ao menos numa sociedade como a nossa, ocidental).
 
O tema é, precisamente, a velhice, ou melhor (pior?), o envelhecimento, circunstância que, devendo, à primeira vista, ser encarado de forma tão natural como os restantes fenómenos da vida (o seu início - nascimento e infância -, desenvolvimento - adolescência e juventude -, estabilização - idade adulta - e fim - morte), acaba por o não ser, quer queiramos quer não.
 
E com alguma razão, atrevo-me a dizer, pois não será o envelhecimento, com a degradação física e, por vezes, psíquica, que envolve, a pior das traições que a vida, na sua proverbial generosidade e gentileza, faz questão de nos providenciar amavelmente (caso não nos force a uma retirada antecipada)?!

Mas isto sou eu a divagar, não que o DH se perca em aprofundamentos filosóficos ou em tónicas negativas, antes pelo contrário. Felizmente!

O tema surge, antes, enquadrado numa trama descomplicada e fluida, que termina ... (Ah!, não posso dizer, detesto ouvir o enredo de livros e filmes que ainda não li ou vi, aliás, nem leio críticas, ao menos previamente).

Vão ver, divirtam-se subtilmente e, depois, digam-me se gostaram, ok.?

Só mais uma coisa: um outro filme muito bom, verdadeiro exercício de imparável ironia, sobre a mesma temática, andou por aí em Julho de 2011, devendo agora habitar num vídeo club junto de si (não tenho qualquer comissão, apenas postei um comentário sobre o mesmo, em 31 daquele mês, com o título, "ABOUT GIANNI"). Chama-se "Gianni e as Mulheres".