ELEVAÇÃO É PERSPECTIVA
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
AO ENGANO!
Assim fui ver o filme intitulado LAST VEGAS!
Porque fui? Pelo facto da interpretação estar a cargo de quatro grandes actores, Robert De Niro, Kevin Kline, Morgan Freeman e Michael Douglas.
Razão do engano? A expectativa de que um tal elenco fosse garantia de qualidade.
É óbvio que, caso não andasse tão distraída, teria dado atenção à sinopse e resistido à promessa das performances interpretativas dos ditos actores.
Na verdade, o que esperar dum argumento em que se largam quatro velhos amigos, não só velhos amigos, mas amigos velhos, na patética mimetização da despedida de solteiro dum deles, que, prestes a completar 70 anos, se prepara para casar com uma mulher de 30? Para mais, no estapafúrdio cenário de Las Vegas, a tão feérica quanto idiota e artificial Las Vegas.
Na verdade, o que esperar dum argumento em que se largam quatro velhos amigos, não só velhos amigos, mas amigos velhos, na patética mimetização da despedida de solteiro dum deles, que, prestes a completar 70 anos, se prepara para casar com uma mulher de 30? Para mais, no estapafúrdio cenário de Las Vegas, a tão feérica quanto idiota e artificial Las Vegas.
Está bem, a ideia terá sido a de abordar o tema da velhice, em perspectiva humorística. Mas uma coisa é a ideia, outra a concretização. Ou seja, o filme tem tanto de humor como este post de elogio. Tem, sim, um enredo fraquíssimo e sentimentalóide, sustentado por uma série de clichés.
Sucede que, para muitas pessoas, envelhecer é lixado! Primeiro, porque quando se dá conta, já é demasiado tarde, assim tipo, um belo dia, sem mais nem menos, olha-se para o espelho e constata-se - olha, parece que esta era eu! ou - parece que já fui! CHOQUE. Depois, começam a ouvir-se, cada vez com mais frequência, elogios póstumos, assim tipo - Você era um espanto! ou - Não, não estou a ver quem é, mas deve ter sido muito bonita! (Juro que se passou comigo e fingi um ar tão melindrado que ele corou por assim dizer até à raiz dos cabelos e acrescentou - ainda é. Só aí comecei a rir, já receosa de que lhe desse um AVC). CHOQUE. A seguir, de cada vez que se fita um espelho - e, estupidamente, há espelhos por todo o lado, nem que seja a superfície das montras - adquire-se um novo traço de identidade, quer dizer, uma manchazinha castanha, uma ruga aqui, outra ali... CHOQUE. Chego a pensar se estes traços de identidade não deveriam substituir as impressões digitais no cartão de cidadão definitivo. Há mulheres sábias que dizem não se importar, teorizando que cada ruga é testemunho dum episódio de vida. Não é, seguramente, o meu caso. E também não creio ser o delas, a avaliar pela quantidade de plásticas, botox, ácido hialurónico e afins que, as mais das vezes, levam em cima.
Quer dizer, isto do processo de envelhecimento (PdE), ao menos enquanto não surgem as maleitas corporais, resume-se a uma questão estética. Esta é a minha teoria. Ou seja, uma pessoa sente-se muito bem, muito fresca, muito criativa, muito viva, e, na primeira esquina, dá de caras com um espelho e ... CHOQUE. O grau de arrelia do PdE está, assim, na proporção directa da elevação estética de quem o sofre. E da vaidade. E da glória passada. Em síntese, quanto maiores forem as aspirações estéticas, a vaidade e a beleza falecida, mais lixado é envelhecer.
Mas, entenda-se, a razão de ter ficado lixada com o filme não foi o tema, mas a sua pobreza estética e intelectual.
Diferentemente de dois outros filmes sobre a mesma temática, de que aqui dei testemunho: GIANNI E AS MULHERES ( post de 31 de Julho de 2011, ABOUT GIANNI) e QUARTETO (post de 16 de Junho de 2013, ABOUT QUARTET).
Bem, o espelho reclama-me (não vá ter surgido mais um traço de identidade).
...
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
ASSIM ME CONTOU
Sentia-se transparente
Invisível
Nada de palavras
Sons
Abraços
Risos
Porque desapareceram as palavras
Os sons
Os abraços
Os risos e os simples sorrisos?
Passava por uma ponte de vidro transparente
Escorregou, caiu
Precipitou-se na invisibilidade das águas do rio
Ninguém viu, ninguém acudiu
Tornara-se transparente, invisível
Concluiu
Assim me contou
Acreditei
Não vi razão para duvidar.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
DICIONÁRIO PARA LORPAS (2)
Há uns posts atrás - passado dia 8 deste mês - iniciei, nesta sede, o Dicionário em título, sem a promessa de lhe dar continuidade, pois isto de prestar serviço cívico à borla é causa a que não estou vinculada e podia não me apetecer retomar o assunto. Todavia, à semelhança doutros factos da vida, há atracções irresistíveis, que, volta e meia, dançam à volta dos meus neurónios, convocando-os a agir. Junto, pois, mais uns vocábulos ou expressões, com o intuito anunciado no precedente post, cuja espécie de introdução aqui dou por reproduzida.
Assim, de LORPA para LORPA - leitura desaconselhada a quem não for ou não se sentir lorpa - aqui vai:
- PROCESSO FREEPORT: EXPOENTE MÁXIMO DA CELERIDADE PROCESSUAL, visto se tratar duma investigação que foi tão rápida, tão rápida, que, apesar de ter estado pendente vários anos (4, 5?), não deu sequer tempo à audição do alegadamente eventual, possível e hipotético suspeito - desculpem a confusão, mas há coisas difíceis de explicar, porque não dão para perceber -, motivo que, também alegadamente, terá determinado o respectivo arquivamento (do processo, entenda-se).
- PEDIR SACRIFÍCIOS AOS PORTUGUESES (no contexto que, para qualquer LORPA que se preze, dispensa explicações): ESPÉCIE DE PEDITÓRIO COERCIVO - passe a contradição nos termos - A QUE OS LORPAS NÃO TÊM MANEIRA DE SE ESCAPULIR, contrariamente aos NÃO-LORPAS, visto, v.g., não poderem sediar os seus rendimentos em offshores ou, por exemplo, na Holanda. Portanto, nada a ver com outros peditórios, como os da AMI, da Cruz Vermelha ou dos Escoteiros (eu sei, também se pode escrever com u), aos quais sempre é possível responder, sem risco de penhora de bens, qualquer coisa do tipo - agora não pode ser; de momento não tenho dinheiro comigo; estou com imensa pressa, etc., sobretudo quando se desconhece onde os donativos vão parar, como é o caso dos inicialmente referidos.
- GORDURAS DO ESTADO: ESPÉCIE DE GENTINHA QUE NÃO TRABALHA NEM NUNCA TRABALHOU NA VIDA OU, ENTÃO, TRABALHA OU TRABALHOU MAL E PORCAMENTE, ABREVIADAMENTE DESIGNADA POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS E PENSIONISTAS. Diga-se, em abono da verdade, ter havido uns LORPAS que ainda admitiram tratar-se dum eufemismo para gastos supérfluos e abusivos, atribuídos, por exemplo, a vícios da gestão pública e, sobretudo, política, nomeadamente, com o sustento de várias frotas indesejáveis, seja de carros, seja de Boys, seja de etc. e tal. Mas não, essa espécie de celulite ou, mesmo, banha, crónica, não integra o conceito em análise. Definitivamente! Como o demonstra uma análise lúcida da realidade, em geral, e dos sucessivos Orçamentos do Estado, em particular.
- CORTES PROVISÓRIOS (aplicados aos salários e pensões das categorias de gentinha identificadas no item precedente): REDUÇÕES SISTEMÁTICAS E DEFINITIVAS (dos salários e pensões dos mesmos). Cumulativamente, pode ser entendido como MANEIRA DE DAR MÚSICA AO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL ou, ainda e cumulativamente, MANEIRA DESTE TRIBUNAL DIZER, ENGANEM-ME QUE EU GOSTO.
- CORTES DEFINITIVOS: REALIDADE. Também: CUSTE O QUE CUSTAR; AI AGUENTA, AGUENTA; TOMA LÁ QUE JÁ ALMOÇASTE E ESPERA PELO PRÓXIMO OE (em linguagem coloquial, respectivamente, política, banqueira e lorpa).
- CONDIÇÃO DE RECURSOS: FUNDAMENTO DUMA DAS MAIS RECENTES MODALIDADES DE PEDIDO DE SACRIFÍCIOS AOS PORTUGUESES (v. supra). Tem a particularidade de se destinar a VIÚVAS E VIÚVOS LORPAS, CUJOS FALECIDOS CÔNJUGES DESCONTARAM, EM VÃO, PARA LHES ASSEGURAR UMA SOBREVIVÊNCIA MAIS OU MENOS DIGNA. Sinónimo da expressão, muito menos criativa, DOS MORTOS NÃO REZA A HISTÓRIA E DOS SOBREVIVOS TAMBÉM NÃO.
- CONDIÇÃO SEM RECURSOS: CONDIÇÃO DOS LORPAS QUE NÃO HÁ MANEIRA DE ENTENDEREM QUE A RECUPERAÇÃO ECONÓMICA ESTÁ AÍ, EM GRANDE ESTILO.
- REFORMA DO ESTADO: O MESMO QUE QUAL OU O QUÊ E QUANDO, SEGUIDO DE TRIPLO PONTO DE INTERROGAÇÃO. Sinónimo de ESTOU A VER QUE JÁ ERA (expressão coloquial lorpa).
- PORTUGAL: JÁ FOI; ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS (NEM PARA NOVOS).
- PPP: POUPEM-ME POR PIEDADE!
sábado, 19 de outubro de 2013
HANNAH ARENDT
Num mundo e, particularmente, num País em que as pessoas cada vez menos se dão ao trabalho de pensar - ou assim parece - é muito bem vindo o filme HANNAH ARENDT, um filme sobre o PENSAMENTO.
Quando da 2ª Guerra Mundial, H.A., Judia alemã, conseguiu evadir-se dum campo de detenção - eufemismo para campo de concentração, utilizado pelos colaboracionistas franceses - situado em Gurs, França, tendo-se estabelecido nos EUA, onde publicou, entre outras obras de filosofia política, As Origens do Totalitarismo, e onde leccionou em diversas Universidades.
Fez a cobertura do julgamento, em Jerusalém, do nazi Adolf Eichmann, para o The New Yorker, através de cinco artigos - reunidos no livro Eichmann em Jerusalém.
O filme trata, justamente, do pensamento então desenvolvido por H.A. sobre Eichmann e sobre a alegada colaboração de alguns líderes judeus com os nazis, bem como da forte polémica a propósito gerada no seio da Comunidade intelectual e, em particular, Judaica.
Em oposição ao pensamento dominante, H.A. não considera Eichmann como a personificação do demónio, antes o remetendo à condição da mais banal das normalidades, a do homem comum, zeloso e acrítico cumpridor de ordens, (logo) alheio à compreensão ou à consideração da fronteira entre o bem e o mal. Portanto, um homem destituído de pensamento. E pertencente à categoria de homens que maiores males causam ao mundo.
Simultaneamente, quando, em sua defesa, explica as suas ideias, não deixa de reconhecer que o extermínio dos Judeus foi um crime contra a Humanidade (visto os Judeus serem humanos), do qual, mesmo sem o alegado colaboracionismo de alguns, não poderiam ter-se defendido.
Somos, pois, convocados a reflectir sobre o pensamento da Filósofa e daí eu ter começado por dizer tratar-se dum filme sobre o pensamento, desafiando, consequentemente, o exercício do pensamento.
A tese de H.A., eventualmente atraente na pureza da sua abstracção - enquanto produto puramente intelectual -, comporta, em meu entender, algumas lacunas e contradições.
Em primeiro lugar, a aceitação de que o cego cumprimento do dever, erigido em critério de referência do comportamento do homem normal, o verdadeiro burocrata, é de molde a obnubilar a capacidade de discernimento entre o bem e o mal, carece, em absoluto, de demonstração; aliás, se não num plano mais elevado - que nos levaria, por exemplo, às questões da ponderação do livre arbítrio e a outras mais -, ao menos no plano factual é, mesmo, desmentida, como o comprova, v.g., o facto de, dum modo geral, os nazis julgados em Nuremberga usarem como estratégia de defesa a distorção da realidade - extermínio dos Judeus -, com o objectivo de se demarcarem da mesma que, todavia, sem a sua acção conhecedora e esclarecida, não poderia ter ocorrido. Tal estratégia não será, por si só, o reconhecimento de que bem sabiam ter agido do lado errado da possibilidade de escolha, o do mal? Abro aqui um parêntesis para referir que um esclarecedor testemunho desta realidade pode encontrar-se em NUREMBERG DIARY, de Gustave Gilbert, psicólogo militar junto da prisão em que aguardavam julgamento os criminosos nazis julgados em Nuremberga. Aí são recolhidas as entrevistas e conversas informais que com os mesmos manteve, a par das suas notas pessoais.
Por outro lado, a tese de H.A., levada às suas extremas consequências, não deveria conduzir à total desresponsabilização social - mesmo esquecendo a pessoal - do tal homem normal - por cujas mãos, todavia e como acentua, se produzem os piores males do mundo? Seria isso justo ou sequer admissível?
Não me parece, nem parece tratar-se de consequência aceite pela própria, já que, por um lado, afirmou ter ficado satisfeita com a condenação de Eichmann e, por outro lado, reconheceu ter-se tratado dum crime contra a Humanidade. Caso para perguntar, um crime sem autores, um crime sem responsáveis?
Por outro lado, independentemente da sua bondade intrínseca, afigura-se-me que certos exercícios puramente intelectuais - plano em que a mente, na sua plasticidade e habilidade, parece vocacionada para aceitar um infinito de teses e o seu contrário... - deverão, talvez, manter-se no resguardo dos seus pensadores, quanto mais não seja, por oferecerem a susceptibilidade de branqueamento de horrores, que, nunca devendo ter assombrado a Humanidade, ao menos não convém que se repitam. E de horrores destes ou doutros já a Humanidade está farta ou deveria estar, caso pensasse ... com conhecimento e sentido da consequência.
Mas isto sou eu a falar. E não sou filósofa. Nem judia (tanto quanto sei).
Nota: Não conheço a obra da H.A., baseando a minha análise naquilo que captei do filme.
Simultaneamente, quando, em sua defesa, explica as suas ideias, não deixa de reconhecer que o extermínio dos Judeus foi um crime contra a Humanidade (visto os Judeus serem humanos), do qual, mesmo sem o alegado colaboracionismo de alguns, não poderiam ter-se defendido.
Somos, pois, convocados a reflectir sobre o pensamento da Filósofa e daí eu ter começado por dizer tratar-se dum filme sobre o pensamento, desafiando, consequentemente, o exercício do pensamento.
A tese de H.A., eventualmente atraente na pureza da sua abstracção - enquanto produto puramente intelectual -, comporta, em meu entender, algumas lacunas e contradições.
Em primeiro lugar, a aceitação de que o cego cumprimento do dever, erigido em critério de referência do comportamento do homem normal, o verdadeiro burocrata, é de molde a obnubilar a capacidade de discernimento entre o bem e o mal, carece, em absoluto, de demonstração; aliás, se não num plano mais elevado - que nos levaria, por exemplo, às questões da ponderação do livre arbítrio e a outras mais -, ao menos no plano factual é, mesmo, desmentida, como o comprova, v.g., o facto de, dum modo geral, os nazis julgados em Nuremberga usarem como estratégia de defesa a distorção da realidade - extermínio dos Judeus -, com o objectivo de se demarcarem da mesma que, todavia, sem a sua acção conhecedora e esclarecida, não poderia ter ocorrido. Tal estratégia não será, por si só, o reconhecimento de que bem sabiam ter agido do lado errado da possibilidade de escolha, o do mal? Abro aqui um parêntesis para referir que um esclarecedor testemunho desta realidade pode encontrar-se em NUREMBERG DIARY, de Gustave Gilbert, psicólogo militar junto da prisão em que aguardavam julgamento os criminosos nazis julgados em Nuremberga. Aí são recolhidas as entrevistas e conversas informais que com os mesmos manteve, a par das suas notas pessoais.
Por outro lado, a tese de H.A., levada às suas extremas consequências, não deveria conduzir à total desresponsabilização social - mesmo esquecendo a pessoal - do tal homem normal - por cujas mãos, todavia e como acentua, se produzem os piores males do mundo? Seria isso justo ou sequer admissível?
Não me parece, nem parece tratar-se de consequência aceite pela própria, já que, por um lado, afirmou ter ficado satisfeita com a condenação de Eichmann e, por outro lado, reconheceu ter-se tratado dum crime contra a Humanidade. Caso para perguntar, um crime sem autores, um crime sem responsáveis?
Por outro lado, independentemente da sua bondade intrínseca, afigura-se-me que certos exercícios puramente intelectuais - plano em que a mente, na sua plasticidade e habilidade, parece vocacionada para aceitar um infinito de teses e o seu contrário... - deverão, talvez, manter-se no resguardo dos seus pensadores, quanto mais não seja, por oferecerem a susceptibilidade de branqueamento de horrores, que, nunca devendo ter assombrado a Humanidade, ao menos não convém que se repitam. E de horrores destes ou doutros já a Humanidade está farta ou deveria estar, caso pensasse ... com conhecimento e sentido da consequência.
Mas isto sou eu a falar. E não sou filósofa. Nem judia (tanto quanto sei).
Nota: Não conheço a obra da H.A., baseando a minha análise naquilo que captei do filme.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)

