terça-feira, 6 de maio de 2014

DESENHO CRU IS BACK!

 
Pois é, o DESENHO CRU - v. post de 27 de Dezembro de 2013 - está de volta, desta vez, num espaço novo, o Art Estúdio. Novo e muito agradável, a começar pelo jardim, logo à entrada.

Aqui ficam algumas imagens desta tão aguardada quanto bem sucedida rentrée.

Só uma nota para referir que, apesar de também ter feito as fotos a preto e branco, seguramente mais cool, acabei por não resistir a usar a versão a cores, pelas razões que, segundo creio, se tornarão óbvias, a começar pelo magnífico azul do céu lisboeta, num esplêndido início de noite de Maio.

Proximamente, publicarei os vídeos que realizei no mesmo evento.
 
 









 
 








 
 
 
 
 
 







 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

IMPLOSÃO

 
Começou a deixar-se sofrer pelo sofrimento.
 
Não foi no dia x, essas coisas não mordem assim, dum dia para o outro, quais revelações místicas. Vinha sofrendo de há bastante tempo, ora era isto ora aquilo, nem sempre sendo iguais, isto e aquilo, embora houvesse um padrão mais ou menos regular e aquela sombra negra, tecida de ansiedade e angústia, que despertara cedo e ficara para lhe fazer companhia. Manifestava-se de diferentes formas, oscilando entre o tédio inicial, o esquecimento do tédio, pela descoberta da vida, logo seguido do alarme de repetidos e incompreendidos fracassos, a demissão, o desgosto negado, depositado no fundo de si como uma pequena pedra, apercebida com a obscuridade e o enigma da rejeição, mas com a dor viva da ferida exposta.
 
Muito mais se poderia dizer, por exemplo, que os tons do tédio e da angústia eram muito bem definidos, respectivamente, cinzento e castanho, ambos escuros. Até os pesadelos se lhe apresentavam vestidos de castanho, fechados numa penumbra espessa e agoniante.
Mas não se justifica dizer mais, como dados de diagnóstico, parecem suficientes.
 
Automedicou-se, por força da força de vontade, da luta contínua e, muito importante, pela arte do disfarce, porque não queria revelar as suas sombras, disso tinha a certeza absoluta, e, então, não parava de engolir sombras, até que se lhe formou uma bola na garganta.
O seu objectivo foi atingido, ninguém reparou, ou isso ou fingimento, que é fácil desistir das solidões do lado, são isso as solidões, uma monumental forma de desistência alheia.
 
Passaram tempos e começou a notar protuberâncias internas, primeiro no abdómen, depois, no peito, depois mais acima e por aí fora. De cada vez, lá se deslocava ao médico, o diagnóstico surgia com uma certeza cristalina, o senhor tem aqui uma massa em crescimento, é preciso extrair. Extraída a massa e submetida a análise, o médico mostrava-se perplexo e pouco à vontade, quando lhe comunicava o resultado, olhe, tudo se resumiu a uma pequena pedra, que, uma vez exposta, se evaporou em sombras, não se encontra explicação, lamento; mas sente-se melhor?
 
Eram melhoras de pouca dura, logo se evidenciava novo volume em expansão, repetindo-se os diagnósticos e as comunicações finais.
 
Por essa altura, extenuado de tanta força de vontade, ele começou, verdadeiramente, a sofrer o seu sofrimento. Na carne!
 
Até que um dia, não interessando a circunstância meteorológica ou qualquer outra - motivo por que se não descrevem -, num último esforço, este não sofrido, engoliu a bola presa na garganta, suspirou aliviado, e implodiu.
Estava sentado num banco de jardim e uma criança que passava perto perguntou ao pai, pendurada da sua mão, o que é aquela nuvem branca a subir do banco, pai? - Que nuvem, filha? - Não vês, parece um anjo. Não, não via.
 



Nota: Curiosamente, ao escrever este texto, lembrei-me de Sándor Márai, concretamente, do seu romance, A Irmã.
 
 
 
 
 


quarta-feira, 30 de abril de 2014

VARIAÇÕES SOBRE O DEO

 
Se não fosse dramática - atento o desgoverno e desrespeito pelos cidadãos que demonstra - esta maneira de o governo PPC/PP comunicar/descomunicar, anunciar/desanunciar, afirmar/desmentir, etc./etc., seria caricata, talvez, hilariante, seguramente, ridícula... como (também) é!
Assim sendo, de há uns tempos a esta parte, dei por mim a não conseguir comentar os malabarismos desgovernativos com a requerida seriedade, enviesando pelo caminho da desconstrução ligeira, com o que pretendo colocar-me em pé de igualdade com os disparates (as mais das vezes, intencionais, estou convicta) da teia ministerial - mecanismo com o qual viso defender-me (psicologicamente) dos respectivos efeitos nefastos, que, já de si, tanto mal têm provocado a tanta gente, em termos de ansiedade permanente e assalto patrimonial.
Perante o tema que se prolonga há, pelo menos, 3 dias, a célebre não-comunicação do DEO, vieram-me à testa algumas ideias meio parvas - embora não tanto como o assunto, em si - que passo a partilhar, embora o seu verdadeiro lugar fosse o DICIONÁRIO PARA LORPAS (constante de há uns posts atrás):
 
1ª- Pedro e o Lobo, o conto infantil, deverá passar a chamar-se PEDRO E O DEO, mediante as seguintes adaptações: Pedro Passos Coelho figura o lobo, DEO, sigla abreviada de demo, é o novo personagem, representando Paulo Portas,  e o pato são os 99% da população portuguesa que não continuou a enriquecer brutalmente com a crise, antes pelo contrário.
 
2ª- Complexidades técnicas, passa a significar: engonhanço, na modalidade, engonha, engonha, que eles desesperam, cansam, e depois aceitam tudo sem piar.
 
3ª- Estou-me nas tintas para as eleições, passa a significar uma destas coisas: agora digo que me estou nas tintas para as eleições, com a bravata de quem enfrenta o touro mais violento, na demonstração do toureiro que cultivo em mim, mas depois logo se vê; deixa-as chegar mais perto, que já te digo se me estou a lixar ou não; eu estava só a brincar, não toparam, eheheh?; foi só mais uma das minhas verdades.
 
4ª- DEO significa: Donde Estoy Oje? (em castelhano).

Ora bem, parece que, entretanto, o DEO, após tecnicamente descomplicado - presumo eu -, lá acabou por ser apresentado ao bom povo!
Embora não tenha assistido, nem em directo nem em diferido, a tão aguardado acontecimento, ouvi uns boatos segundo os quais o IVA e a TSU SUBIRAM MAIS UM BOCADINHO! Como não gosto nada de boataria, nem quis ouvir o resto. Sim, só pode tratar-se de invenção, depois do que o Sr. Pedro Passos Coelho terá afirmado, categoricamente, sobre impostos e salários, que não sei quê, não iriam voltar a ser mexidos, não valia a pena fazer bichos de sete cabeças ... (também acho, a serem verdade tais notícias, não há bichos de sete cabeças que resistam, só se forem bichos de 100 pés, tipo centopeias ou qualquer coisa do tipo...).
Já agora, caros reformados, não pensem que não vai sobrar para vocês. Está visto que a pseudogafe daquele secretário de estado da Roma antiga - quer dizer, não sei se é da Roma antiga, mas comunica em latim - serviu só para desfocar as atenções dos pagadores de IVA, em geral, e dos pagadores de TSU, em particular, não fossem eles começar a inventar desconfianças e, por exemplo, acudir, em peso, às manifestações do 25 de Abril, numa gloriosa reedição da manif. da TSU (já agora, podem aproveitar a manif. de hoje, 1º de Maio, que até calha ser o Dia do Trabalhador); mais cedo ou mais tarde, desviadas que estão as atenções para os temas do DEMO, perdão, DEO, lá chegará a vez dos cidadãos grisalhos.  

PEDRO E PAULO RINDO DOS TUGAS
 
 
 Nota: Não obstante a data que figura na publicação, estamos já a 1 de Maio, 00,56 H.
   


terça-feira, 29 de abril de 2014

A VERDADEIRA ARTE DO BEIJO ÚNICO


 
Tendo sido educada a cumprimentar com dois beijos, deparei-me, há largos anos, com uma moda adquirida por certas pessoas, traduzida na simplificação para um só beijo. Insisto no adquirida, visto me referir a pessoas com educação idêntica à minha, mas que, vá-se lá saber por que razão ou ambição, resolveram mudar de hábitos osculatórios, numa imitação barata daqueles que - eles sim, os genuínos - sempre se tinham cingido a um só beijo.
Ainda me lembro da primeira vez em que me deixaram com a cara pendurada, por assim dizer.
A coisa passou e só daí a muito tempo voltei a sofrer a afronta da bochecha desprezada, embora eu propriamente dita, no meu todo uno, não me tivesse sentido como tal.
Verdadeiramente, achava ridículo este pretenso novo hábito, não por ser avessa à novidade, antes pelo contrário, mas porque, como diria o Diácono Remédios - esse fabuloso boneco do Herman José - não via que houvesse nexexidade, para além de que detesto imitações (por isso, em matéria de marcas apetecidas, só tenho uma mala Burberry e uns óculos Versace, genuínos; devo confessar a possível excepção da mala Louis Vuitton, que veio de Marrocos, não podendo, assim, garantir o respectivo pedigree).
Então, por pura e inofensiva brincadeira, resolvi adoptar a estratégia de colher presas desprevenidas, ou seja, apanhar os beijadores dum só beijo em maré de distracção e cumprimentá-los à sua (adquirida) maneira. Foram momentos divertidíssimos, porque me fartei de abandonar caras penduradas... Mas deixei-me disso, divertimento tem limites e, quando é parvo, cansa depressa.
Mais tarde, deparei-me com uma espécie difícil de conciliar, a dos casais em que um é adepto do beijo só e o outro não se contenta sem os dois beijos, assim tipo, um ser adepto do Benfica e o outro do Sporting (ou vice-versa...). Estes requerem especial atenção, não vá a gente trocar e espetar os dois beijos ao que só está disposto a dar um e, em contrapartida, deixar o outro com a cara à banda - equivalendo a dar os parabéns ao benfiquista, por uma goleada (creio que esta fantástica palavra  existe mesmo!) do Sporting, e vice-versa. Em semelhante caso, muitas vezes baralho-me, mas, como me parece tratar-se dum assunto abaixo de menor, limito-me a dizer coisas do género, lá me enganei eu outra vez, desculpa lá o excesso, fica já um de reserva para a próxima, etc.
Todavia, quando vejo alguma alminha levar o assunto demasiado a peito, a pontos de, talvez, se sentir traumatizada quando não lhe obedecem ao comando de beijo único, encho-me de cautelas, não significando isto que, por vezes, não falhe, estendendo, prazenteiramente, a 2ª bochecha. Afinal, sou humana, e não posso arcar com as idiossincrasias alheias - as minhas chegam-me e sobram-me, uff!
Talvez pensando na minha tendência para o desacerto (neste domínio, entenda-se), um distinto e, aliás, simpático senhor, com o qual me encontro ocasionalmente - aí uma ou duas vezes por ano, em casa de familiares -, descobriu uma maneira fantástica de resolver o problema. Então é assim, em vez de oferecer a bochecha direita, apresenta a esquerda, o que, para uma pessoa avisada (por sucessivos antecedentes de falhanços, ou seja, eu), é sinal inequívoco de que o cumprimento acabou ali e pronto. Estou certa de que, em pessoa não avisada, deve funcionar à mesma, porque ou pensa que o personagem é canhoto (de cara) ou constata que não dá jeito nenhum trocar as voltas às bochechas, sob pena, inclusivamente, de ficar com um torcicolo.
Ora bem, são pessoas assim, cheias de criatividade e empreendedorismo, que admiro!
Deixo aqui a solução, em favor dos adeptos da osculação poupada, que, porventura, ainda não tenham, descoberto a verdadeira arte do beijo único.
   
 
 
 
 
  

segunda-feira, 28 de abril de 2014

VÁ-SE LÁ SABER!



A conversa evoluiu e o filho, talvez de quarenta e tal anos, perguntou ao pai, talvez a rondar os oitenta, e lá por casa, com a mãe, está tudo mais calmo? - Calmo está, se se entender por calmo que não há diálogo nem conversas, foi a resposta.
 
Fiquei a pensar naquilo, uma conversa ouvida ao acaso, na proximidade duma mesa de restaurante, coisa que nem sequer costuma acontecer, visto ser bastante distraída, ou melhor, abstraída, e, sobretudo, desinteressada de vidas alheias.

Curiosamente, quer a pergunta quer a resposta foram proferidas num tom absolutamente neutro, quase clínico. Quem sabe o diálogo deles não passava duma não-conversa, o filho desinteressado da resposta, o pai nada esperando da pergunta! Assim, essa espécie de calma...

Entretanto, paguei a conta e saí. Ignoro o rumo do almoço daqueles dois, ambos impecavelmente vestidos, nos seus fatos/gravata, voz mansa e boas maneiras.

Vá-se lá saber, são as vidas deles!

Só que aquela resposta deixou-me uma série de interrogações, nomeadamente, sobre o sentido de certas convivências ou da sua manutenção, vai dar ao mesmo... 
 
 
 
 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 DE ABRIL DE 2014: É SÓ ISTO!


Aos Capitães de Abril


Este é um extracto do livro A Arte da Alegria, de Goliarda Sapienza, que acabo de ler.
 
Tendo sido escrito entre as décadas de 60 e 70 do século XX, não deixa de causar espanto o acerto na antecipação duma realidade, a que, infelizmente, hoje se assiste: ... mas o seu sonho (de Hitler) vai-se realizar: uma Europa unida chefiada pelo génio germânico... (pelas palavras de Timur, o personagem nazi). 
 
Pois não é isso o que se verifica hoje, não é isso o que nós, Portugueses, sentimos na pele, especialmente quando, em vésperas de saída da maldita troika, somos ameaçados pela permanência duma qualquer outra forma de permanência troikista? Sobretudo quando, para nós, a união da Europa não passa de unificação pelo domínio, de facto - nunca, de direito, aliás, contra todo o Direito - do mais forte, o carrasco alemão?



Por isso, para mim, dizer 25 de Abril, sempre, não é, apenas, questão de prestar tributo ao passado, mas, sobretudo, de augurar o futuro.
 
O tributo é-o para aqueles Homens que, com determinação e coragem, notável empreendedorismo político, arriscaram até às suas vidas, para retirar Portugal de quase meio século de ditadura, aqueles que ousaram agir, ousaram vencer, e venceram!
 
O augúrio não se concretizará sem idêntica atitude, por parte de todos nós, os que, partilhando os valores ínsitos na Soberania Nacional e no Respeito pelos Direitos Humanos, se dispuserem a agir, a dizer NÃO, sempre que tais valores estejam em perigo, como, aliás, é o caso.  

 
 
Por isso, esta não é uma frase vã, gasta de sentido pela repetição, é um alerta e um desafio, para todos nós, aqueles que, acreditando nos Valores da Democracia, estão empenhados na sua defesa e afirmação.
 
Para além de ser um tributo aos que tornaram possível, por exemplo, coisa tão pouca como a existência deste post, os Capitães da Abril 
 
 
 


segunda-feira, 21 de abril de 2014

A IMAGEM DA IMAGEM


Nem tudo o que não parece não é.
 
Veja-se, por exemplo, aqui a seguir: a princípio, era a imagem única, (julgada) irrepetível, depois surgiu a imagem da imagem (uma das suas infinitas possibilidades de leitura, revelação, multiplicação).
 
Basta saber rasgar horizontes e passar para o lado de lá. Tão simples quanto isto!