sábado, 30 de julho de 2011

LÍDIA JORGE, AINDA

Por um feliz acaso de zapping, fui aterrar à pista da SIC Notícias, onde deslizava uma entrevista à escritora Lídia Jorge, pela mão do António José Teixeira.

Belíssima entrevista, por sinal.

Desde logo, foi conduzida e correspondida com a sobriedade própria de pessoas cultas, inteligentes, educadas e serenas (como julgo ser o caso dos intervenientes).

Por outro lado, a substância (das perguntas e das respostas, naturalmente, com o maior peso que, no contexto, estas assumem) não ficou atrás do estilo, sendo, a propósito, de salientar a riqueza  temática, que, para além do mais, incluiu, desde a situação política e social do País a aspectos culturais de ordem mais ou menos geral (v.g., o papel da Língua Portuguesa, inclusive, na redenção do País,  e a transformação do Ministério da Cultura em Secretaria de Estado), passando por questões mais concretas, caso dos atentados na Noruega.

Tratando-se da 2ª vez que ouvi a Lídia Jorge, também desta senti tal oportunidade como um privilégio, sobretudo, pela inteligência (organização e profundidade do pensamento), pelo posicionamento actual e realista, mas também por aquela maneira especial que ela tem de procurar as palavras, para com elas melhor servir as ideias (parece-me).

Achei particularmente interessante a metáfora da centopeia com alguns pés doentes (incapazes de acompanhar o movimento do todo), que encontrou para a Europa (UE, entenda-se). Poderão dizer-me que é óbvia ou fácil, mas eu responderei, ... mas só depois de inventada.

Idem, em relação ao comentário sobre os massacres na Noruega, no sentido de que têm de ser lidos como uma metáfora, cabendo aos sociólogos e às entidades policiais estudar o seu significado (possível eco doutros focos xenófobos).

Por vezes, a preguiça que me conduz ao zapping (única maneira encontrada de, cada vez menos, sobrevoar a televisão) acaba por ter um final feliz. Felizmente, é raro isso acontecer.


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