segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DEBATENDO-ME COM O(S) POLVO(S)

Pois foi, após ter estado estacionado na mesa de cabeceira uns dois ou três meses, que isto há filas para tudo, lá chegou a sua vez de ser lido.
Não pode orgulhar-se de ter proporcionado/merecido uma leitura entusiasta ou cativante.
Pelo contrário, revelou-se uma daquelas peças aborrecidas e não muito bem arquitectadas que a pseudo-literatura contemporânea, ou melhor, a indústria de vender resmas de papel em forma e com a designação de livro, tão exitosamente vem produzindo.
Com uma escrita sem brilho, umas quantas (excessivas) entradas iniciais (capítulos) dispersas por outros quantos cenários, sem o requerido fio condutor e agregador, uma trama debilmente estruturada e um desfecho óbvio (prematuramente adivinhado), terminar a sua leitura requereu boa dose de teimosia.
Em nome de quê? Pois, de fundamentar um juízo sobre algo que fora apresentado como um magnífico thriller (quem não gosta?) que, aliás,  promete ser um novo bestseller, isto, por comparação com o anterior livro (A Verdadeira História do Clube Bilderberg) do mesmo autor, o tão blogosfericamente famoso Daniel Estulin.

Todavia, nem tudo se perde (dos €23,00/FNAC e das horas de leitura, of course), porquanto em CONSPIRAÇÃO OCTOPUSS (A Esfera dos Livros, 2011), que assim se designa o romance, não deixam de ser enunciadas umas quantas reflexões bastamente atinadas sobre o mundo que passa, como é o caso das que passo a citar:         

"Interdependências humanas e intrincadas. Poder e riqueza. O antídoto perfeito para abater as multidões de mentes básicas influenciadas pelas necessidades elementares. O descontrolo financeiro mundial destruiria a riqueza e desumanizaria a população, transformando-a ainda mais do que já é num rebanho de ovelhas assustadas." (p. 25)

(Salta-me à ideia o facto de, desde o 25 de Abril, de desgoverno em desgoverno, ter vindo a ser assegurada, no nosso País, de forma tão básicaassustada quanto catastróficas são as suas consequências, a dominação do chamado bloco central ...)

"Pela minha experiência no campo, existem umas pessoas que entram e saem do governo, agentes, antigos agentes e gente da máfia, pessoas cujas capacidades são altamente valiosas e bem remuneradas quando trabalham para o lado errado." (p. 99)

(Hello!, secretas, ex-ministros empregados em empresas anteriormente sob sua tutela  ou miraculosamente transformados em banqueiros ou representantes de banqueiros ou doutros interesses da alta finança ..., é o que me vem ao pensamento) 

"- A política não é um fim, mas um meio. Tal como outros produtos de valor, tem as suas imitações. Tem-se dado tanta ênfase ao falso que o significado da verdade foi obscurecido, e a política acabou por ser sinónimo de egoísmo habilidoso e matreiro, em vez de um serviço sincero e honesto." (p. 271)

(Assaltam-me várias máscaras, com nomes tipo, Cavaco Silva, Durão Barroso, Sócrates, Passos Coelho, Paulo Portas ...)

Permanece, assim, a curiosidade de passar os olhos sobre A Verdadeira História do Clube Bilderberg, pois, não me considerando, propriamente, uma pessoa crédula, tenho tendência a acreditar em certas Teorias da Conspiração (aquelas que têm provas dadas, entenda-se).

Talvez venha a dar notícias a propósito (deste outro livro, claro!). 



    

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