quinta-feira, 10 de maio de 2018

A SALETA: UMAS MEMÓRIAS


apresento-me: sou a saleta e isto são as minhas memórias!

nunca tive o glamour da sala de visitas, com o seu jogo de maples de estampado grená, que não eram para sentar, excepto se houvesse visitas (óbvio!), o piano Baumgardten & Heinz de tempos antigos, que o sr. já-não-sei-o-nome-mas-que-era-cego vinha afinar para as aulas dos meninos, lecionadas pela temível dona A., de sua alcunha, "o Cadelório", vá-se lá saber porquê (ou até se tão agressiva palavra existe), e a mesa pé-de-galo.

não possuía o recato e a seriedade do escritório do dono da casa, pai dos meninos (menino e menina), com a secretária arte nova, a cadeira de braços e as paredes forradas de estantes recheadas com livros.

também não partilhava o estilo da sala de jantar, que bem poderia chamar-se sala das ocasiões especiais - repastos em dias de mesa alargada e chazinhos de visitas de cerimónia -, com a sua mobília completa, talhada em madeira maciça, aí uma tonelada de peso, segundo os meus cálculos, cabedal e espelhos, as pratas e os pratos de louça antiga espalhados pelas paredes, e, é claro, a Última Ceia a presidir.

não digo isto com sombra de inveja ou outro tipo de ressentimento. tomaram elas, as outras divisões, na sua condição de semivivas ou semimortas, ter presenciado o que eu presenciei, ter vivido o que eu vivi! afinal, por alguma razão sou eu e não elas a vir aqui partilhar memórias.

se senti afinidade foi com a cozinha, à qual me ligava um corredor de mosaico, que chegou a ser muito usado pelos meninos para jogar à bola. nessa altura, parecia enorme, assim tipo alameda, mais tarde, quando se tornaram adultos, revelou-se na sua dimensão real, cinco ou seis metros (ou outra medida qualquer, não sou boa nestas conjecturas, também não é coisa que se exija a uma saleta).

para que me imaginem (meio caminho andado para o entendimento), vou-me descrever, que isto da imagem é o primeiro cartão de visita, segundo dizem os consultores da dita e outros entendidos. 

das minhas quatro paredes, duas rasgavam-se em janelas, duas para trás, para o quintal, com a figueira ao fundo (ai a figueira!), o pombal do lado direito, pelo caminho a horta, várias árvores de fruto, o galinheiro, palácio de galinhas e, consoante os tempos, de mais outras espécies, de que recordo patos e coelhos e até um ou outro perú, por altura do Natal, pobrezinho.

recordo vivamente um coelhinho especial, todo branco, de olhos vermelhos, que a menina segurava ao colo, enquanto lhe espalhava festas na cabeça e ele ali, deliciado, deixando as pálpebras tombar como se aquele momento doce devesse ficar guardado para o sempre ou, ao menos, para tempos menos ditosos. também me lembro que, a certa altura, foi mandado construir um lago de cimento dentro do galinheiro, dedicado a banhos dos patos, tipo patudos SPA. falta de previsão, os pintainhos, ignorantes das artes da natação, deram em afogar-se, o lago acabou transplantado para o jardim, a servir de canteiro a luminosas flores, os patos condenados a andar a pé.

algures por aí, entre o galinheiro e o pombal, ficava o baloiço, onde os meninos subiam às nuvens, alto, cada vez mais alto, perfurando o ar com a vertigem da velocidade, da alegria e da ilusão. 

lá para o canto ficava o tanque, mas isso já pertence às vistas da janela da cozinha e não pretendo imiscuir-me em memórias alheias. mesmo assim, vou partilhar o que talvez não passe dum mito sobre o tanque: certo dia, o menino esteve a pontos de lá se afogar. e, já agora, a menina fazia dele marina e praia dos bonecos. era uma das suas formas de viajar, por aquela altura não era coisa que estivesse ao seu alcance, sempre em casa, sempre confinada àquela terra atrás das serras! por isso a quis deixar o quanto antes, o que acabou por suceder aos dezasseis anos para nunca mais, um nunca mais apenas interrompido por curtas estadias de férias, mas isso pertence, quando muito, às suas memórias, assunto em que também não tenciono meter-me.

das minhas memórias, que disso se trata, posso dizer que amava sobremaneira ver e ouvir a chuva desabar contra as vidraças das janelas e sentir o cheiro a terra molhada que se desprendia do chão. também amava o verde dos ramos das árvores a afagarem-me as mesmas vidraças. contrastava com o vermelho vivo da caixilharia, madeira pura, que mais tarde iria estalar pela sucessão de muitos sóis.

na outra parede, rasgavam-se mais duas janelas, debruçadas sobre o caminho que ligava o jardim, na parte da frente da casa, ao quintal traseiro, de que já falei. no início, esse caminho era de terra batida e ladeado de piracantas, mais tarde, passou a dispor duma passadeira alcatroada e as piracantas foram substituídas por hortênsias, mas disso não vou falar até porque a menina já o fez e se há coisa que detesto são repetições. entre as piracantas e a casa, dum dos lados, e a sebe de separação da casa vizinha, do outro, habitavam árvores de fruto a que, mais tarde, se juntaram cactos gigantes. ervas e flores cresciam por onde as deixassem. e no meio delas azafamavam-se as formigas, que a menina passava eternidades a observar. 

sempre gostei das minhas janelas, todas quadriculadas, debruadas a vermelho, como referi acima. no interior, eram protegidas por portadas de madeira maciça, castanhas escuras na face interna e beges na externa. quando a noite caía, o senhor, quero dizer, o pai dos meninos, antes de subir para dormir, fazia a ronda, certificando-se de que janelas e portas ficavam criteriosamente fechadas. empregava nisso o cuidado dos gestos essenciais,  assegurando que tudo estava certo e que se podia dormir tranquilamente, sem a sombra de intrusões indesejadas, não que, por essa altura, houvesse grandes razões para temer. era um dos rituais que nunca conseguirei esquecer, uma espécie de símbolo da ordem perfeita, misturado com a representação dum anjo da guarda terrestre.

outra das minhas paredes dava passagem para o já falado corredor (comunicante com a cozinha), através da porta emparelhada com as portadas das janelas, na sua harmoniosa junção bege/castanho escuro. estava sempre aberta e isso era a prova clara de que eu permanecia sempre viva, ao contrário das outras já referidas salas, adormecidas num despovoamento quase sistemático. só muito mais tarde, já os meninos tinham deixado de o ser (se é que tal pode afirmar-se!) e só apareciam em visita, me lembro de a ver encostada, para protecção dos rigores invernais. talvez isso já sucedesse antes, mas, por essa altura, eu era tão nova e tão usada que não me ocorre pensar no frio e também não no calor. todavia, agora que falo nisso, assaltam-me algumas memórias presas nas variações atmosféricas: a caneca de lata das limonadas frescas e o zumbido das moscas e outros insectos voadores. era o ditoso verão, o verão das férias grandes, enormes. por vezes, uma mosca aterrava na sopa da menina, esta rejubilava, a avó dizia, - és uma enojada, a mosca tem de cair sempre no teu prato!, zangada por a menina arranjar um pretexto para não comer a sopa. se ela odiava sopa, todas as sopas, mas especialmente a de cebola! aliás, as fitas para (não) comer eram tantas que me lembro de ver a senhora, a mãe dos meninos, retirar-se da mesa à beira das lágrimas, enquanto a avó não parava de chatear a pequena criatura. felizmente, o pai mantinha-se alheio a tais cenas. e não se pense que era birra, ali não havia lugar a birras, tratava-e só de afirmação de impossibilidade da menina perante uma coisa que não conseguia engolir.

a quarta parede não tinha interrupções, nem janelas, nem porta.

as minhas mobílias eram do mais banal, absolutamente isentas de estilo. uma mesa redonda com cadeiras à volta, onde eles, os cinco (mais tarde, seis, com a junção do avô paterno, recém-viúvo) se sentavam para todas as refeições, onde os meninos estudavam e o pai preparava as lições e corrigia os exercícios - toma lá escritório, que raramente eras usado, era eu a preferida! -, uma estante de esquina, dita cantoneira, mais tarde substituída por uma pequena estante rectangular, sede de arrumos vários, uma gaveta para os guardanapos, que eram de pano e guardados em bolsinhas individuais monogramadas, delicadamente esculpidas em croché, pela mãe, um móvel com a máquina de tricotar lãs, onde esta fazia camisolas, luvas, bandoletes, cachecóis e outras coisas maravilhosas para os da casa - não por não estar disposta a fazê-las para venda, mas abstendo-se disso, pois ficava mal... -, um divã, encostado a um canto, com duas ou três almofadas. mais uma ou duas cadeiras, numa das quais, encostada a uma das janelas que dava para a lateral da casa e daí para a rua, se sentava a avó, desenhando rendas. quando não andavam de candeias às avessas - por causa da história da sopa ou doutras igualmente parvas, por exemplo as reclamações da menina por a mandarem por a mesa ou fazer a cama, enquanto o menino, apenas por ser menino, era disso dispensado -, acocorava-se no chão e, sem dar nas vistas, prendia o fio das rendas, impedindo a avó de avançar com as agulhas. acabavam as duas a sorrir e a brincadeira passava sem efeitos colaterais, em ambiente de cumplicidade.

não me perguntem porquê, apenas tenho de dizer que não, a menina não aprendeu nada naqueles departamentos em que a mãe e a avó eram tão prendadas, nem rendas, nem bordados, nem malhas tricotadas, nem simplesmente coser à máquina. consta que, nas aulas de Lavores Femininos - sim, havia uma disciplina com essa designação -, a menina levou a professora ao desespero e à desistência, porque andou um santo ano para bordar um simples e diminuto pano a ponto de cruz sem se dar ao trabalho de o terminar. como coisa tão inusitada pode ter acontecido nem perguntem, afinal sou apenas a saleta e, de resto, estou aqui para falar das minhas memórias. também escusam de perguntar se a menina veio a arrepender-se de ter desaproveitado a aprendizagem de tantos talentos. limito-me a testemunhar que, certa vez, como não desse andamento à renda com que a avó pretendia conquistá-la para o domínio das fadas do lar, esta lha arrancou das mãos, num ímpeto, e desfez o pouco produzido. noutra ocasião, desesperou quando tentava ensinar a menina a coser à máquina, desistindo por falta de êxito na primeira incursão. tenho para mim que a menina não ia lá com esses modos, mas talvez, acima de tudo, não lhe interessassem tais artes, visto as associar ao conceito de mulher-dona-de-casa, carreira que sabia muito bem não querer prosseguir.  tinha muito claro na cabeça que não queria tal forma de dependência, havia de ser independente como a dr.ª C., a notária, única mulher com carreira feita que conhecia (curiosamente, não associava a tal conceito as professoras do Liceu, que as havia, embora fossem tratadas por senhora dona, como se não passassem duma espécie de donas de casa com autorização para amestrar, contrariamente aos professores, os senhores doutores, esses sim, titulares duma verdadeira carreira).

o que eu mais gostava era das brincadeiras dos meninos. lembro-me das tardes frias em que se serviam do estrado da braseira como pista de carrinhos de lata. Sim, esquecera-me de mencionar, mas sob a mesa havia o dito estrado e braseira, escondidos pela camilha.

outra coisa de que me recordo eram as aulas de acordeão, porque, a seguir ao piano, os meninos tiveram aulas de acordeão, mas estas, dada a mobilidade do instrumento, decorriam no meu domínio e não na sala de visitas e não se comparavam nada com o rigor e a seriedade das aulas de piano a cargo da dona A.. o sr. C., que as ministrava, era pessoa sorridente e amigável e não estava para solfejos, era só descontração e alegria.

outra das coisas boas eram as histórias que o pai e a mãe contavam às refeições, histórias de família, a mãe, histórias de vida, sobretudo como estudante em Coimbra, o pai. os miúdos ouviam atentamente, enquanto aprendiam, porque, duma forma ou doutra, eram histórias para aprender, memórias e coisas da vida. 

e só para terminar, que estou com a sensação de falar de mais, deixo mais um apontamento, os almoços de aniversário. A mãe preparava refeição melhorada, sempre a culminar no bolo russo ou enrolado, uma torta de chocolate coberta com açúcar, riscado de desenhos geométricos. em jeito decorativo, multiplicavam-se sobre a toalha bombons de chocolate, recheados com creme e envolvidos em pratas multi-coloridas. as prendas não eram nada de especial, que nem o dinheiro abundava nem a parte material se valorizava. talvez por isso, certa vez, a menina  ficou encantada com o presente dum convidado surpresa - habitualmente não os havia -, um primito, que lhe levou um cachecol macio, em frescos tons claros, muito bonito. mais tarde, procurou-o insistentemente, sem o encontrar, nas arcas do esquecimento que habitavam a cave.

também eu já não encontro aquela família, de que, aliás, só restam os meninos, que agora o não são (ao menos por fora)! aliás, bem contra minha vontade, mudei de mãos e, como tal, embora permaneça na essência, nunca mais serei a mesma. e a essência é o que vivi nesses tempos. daí estas memórias.


(Imagem obtida em pesquisa Google)






segunda-feira, 23 de abril de 2018

A BELA ADORMECIDA: VERSÃO FRACTURANTE


I - INTRODUÇÃO E CONTEXTO

Conta-se que, ainda o século XXI amanhecia, reinava num minúsculo reino perdido nos confins ocidentais da Europa um casal que vivia mergulhado em profunda tristeza, ansiedade e angústia.

As razões para tão lamentável situação vinham de longe, de quando o rei era ainda príncipe e, ao apaixonar-se loucamente, deparou com a feroz oposição dos poderes instituídos, desde seus pais, os reis, até aos governantes e parlamentares, sem esquecer o povo anónimo e iletrado, preso de ignorância e preconceitos sem limites.  Até o bobo da corte, imagine-se!, embora este, sob o jocoso disfarce das funções atribuídas. Não será exagero afirmar que, todos juntos, fizeram a vida negra ao jovem príncipe e ao seu par!

O príncipe - e herdeiro do trono - só não sucumbiu à cerrada e agressiva barreira de opositores porque encontrou nos braços, no coração e no resto do seu par o aconchego, a força e a esperança necessários para aguentar tão nefasto embate e prosseguir. Valia-lhe, acima de tudo, o facto de a sua exuberante paixão ser totalmente retribuída, que aqueles dois eram a encarnação perfeita do fenómeno almas gémeas (dando-se de barato que tal coisa existe e não foi inventada apenas para justificar certos contos). 

Não se pode dizer que tivesse sido fácil! Perde-se a conta (e o sofrimento) das vezes  que tiveram de fingir nem sequer se conhecerem, quanto mais amarem-se. Experimentaram navegar pela corte disfarçados de indiferentes, sofreram vexames quando não conseguiram disfarçar. Mas a verdade é que gozaram muito nos braços (e no resto) um do outro, quando, as mais das vezes na clandestinidade, puderam entregar-se mutuamente, sem reservas ou limites de qualquer ordem. E - talvez à força de tanta resiliência e gozo, nunca desprezar este elemento - a paixão triunfou e, inclusivamente, cedeu passo ao amor!

Entretanto, o rei, talvez desgostoso com o filho, que ele bem via o que se passava - contrariando a máxima, tem pai que é cego! - deixou-se embalar numa espécie de desistência, foi enfraquecendo a olhos vistos e, certo dia de outono - como poderia ter sido de qualquer outra estação do ano, nem sei porque referi o outono -, quando se preparava para entrar na banheira, perdeu as forças de vez, caiu com estrondo, bateu com a testa na borda da retrete e foi-se desta para melhor (para usar uma expressão popular parva, porque ninguém está habilitado a saber se existe o além e, em hipotético caso afirmativo, se é melhor do que isto por aqui, embora não pareça ser muito difícil, mas nunca se sabe, que ele há coisas…).

Foi o alerta da rainha, estranhando o atraso do marido para o brunch - era  domingo e aos domingos tinham por hábito brunchar -, que permitiu descobrir o sucedido, por intermédio dum lacaio encarregado de ir descortinar que raio se passava.

Ultrapassando pormenores - choque, tristeza, funeral, testamento, sucessão e etc., que, aliás, toda a gente sabe como funcionam e, se não sabe, facilmente imagina -, vamos directos ao momento em que o herdeiro ascendeu ao trono, assumindo um poder que, não sendo absoluto, já não eram tempos disso - aliás, já nem eram tempos de monarquias, mas aqui, a esta história, importa tratar-se duma monarquia, apesar de constitucional e democrática -, era, todavia, significativo, quanto mais não fosse pelo lado do simbólico e doutras coisas assim.

De resto, os tempos tinham evoluído e, com eles, as mentalidades ou pelo menos algumas delas, por sinal as mais influentes, e o agora rei assumiu abertamente o seu amor, desde logo fazendo-se acompanhar pelo par escolhido, no momento da coroação. Foi meio caminho andado para o casamento - não se esqueçam do poder do simbólico! -, que não só deixou de ter opositores relevantes, como foi reconhecido pelos poderes governantes e, obviamente, aclamado pelo povo ululante.

Não vamos prolongar mais este episódio que, aliás, apenas se mencionou a título de contexto, sobretudo para que se saiba que a vida do casal real, apesar da aceitação e reconhecimento tardio da sua união, não foi fácil. Mas as razões da profunda tristeza, ansiedade e angústia inicialmente aludidas eram doutra natureza - que, como dizem os sábios, ou será o povo?, uma desgraça nunca vem só.

II - MAIS CONTEXTO

O facto é que o casal real desesperava por ter um filho, um que fosse, não só por razões de ordem prática, garantia de continuidade da monarquia, mas, principalmente, pelo amor que devotava às crianças. E facto era, também, que o casal real não podia ter filhos! E, quando se diz que não podia era que não podia mesmo, tecnicamente falando. Perguntarão vocês, caso tenham lido até aqui, se sofriam de infertilidade. A resposta - e ainda bem que chegaram até aqui! - é um rotundo não! Sucedia simplesmente que quer o rei quer o seu amor eram do mesmo sexo, masculino, e nem a natureza nem a ciência nem a boa vontade e febre legislativa dos partidos defensores de causas fracturantes tinham evoluído ao ponto de suprir tal impossibilidade!

É claro que podiam adoptar uma criança, era até favor que prestavam a algum desvalido da sociedade (e muitos havia!) que, simultaneamente, lhes aumentaria as cotas de popularidade, mas não seria a mesma coisa! O que eles almejavam mesmo era um pequenito por cujas veias circulasse o seu próprio sangue, bem, ao menos o sangue dum deles, aliás, o sangue dele, do rei. Convém não esquecer a existência de razões políticas à mistura, significando que, por lei, na ausência dum herdeiro de sangue, a monarquia se extinguiria e lá se ia o legado de séculos para o galheiro (novamente um dito do povo, no seu máximo esplendor de expressividade. Já agora, sabiam que galheiro significa fogueira de galhos, mas também louceiro?). E era esta a razão oficial apresentada por ele e por ele, ambos os membros do casal, até porque não seria politicamente correcto confessar a existência de razões narcisistas e egocêntricas no anseio dos dois. Só um parêntesis para enfatizar, se é que ainda não repararam, que lá pelo reino o chamado politicamente correcto era uma norma, aliás, a norma por excelência, a determinar obediência cega (ninguém com dois dedos de testa e vontade de fazer carreira, mesmo como rei, se atrevia a violá-lá).

Valeu ao casal ter criado, nos seus penosos tempos de clandestinidade, uma rede de laços de empatia e cumplicidade com muito boa gente e, em regra, muito bem colocada - é óbvio que, mesmo na clandestinidade, não se davam com qualquer um -, cujas preferências ou opção, perdão, cuja natureza, em matéria de relacionamento amoroso, pendia para elementos do mesmo sexo, perdão, género. Uns declaradamente, outros não. Neste último grupo, havia até os que - e não eram assim tão poucos - exibiam cônjuge de sexo, perdão, género oposto, e, inclusive, não dispensavam prova de acasalamento, quer dizer, filhos  biológicos (por oposição a filhos doutros pais naturais e não por oposição a filhos de aviário, tipo, frangos). 

Interessa isto para concluir que esse grupo alargado de amigos deu em constituir-se em grupo de pressão e, segundo consta, mas podem ser só línguas viperinas, por força da posse de segredos vários, assim uma espécie de inside trading, lá conseguiram a aprovação duma lei que permitia o recurso a barrigas de aluguer, com o fim da produção de rebentos (assim como já tinham conseguido aquela lei dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo ou género ou lá o que é).

A lei foi recebida na corte com esfuziante contentamento e logo se meteram mãos à obra - se é que assim se pode dizer sem ofender o tal politicamente correcto -, com o objectivo da gestação da criança, bem se sabendo que cabia ao rei ceder o esperma. O marido do rei, que era muito sensível e dado a birras inesperadas e por vezes espalhafatosas, reivindicou a escolha da dadora de óvulo e barriga de aluguer, indicando para o efeito uma sua irmã. O rei, condescendente e, sobretudo, receoso do que pudesse aí vir com uma nega, satisfez o desejo/imposição do cônjuge.

Mas, para aqueles dois, mais parecia que a tormenta estava sempre à espreita - podem não acreditar, mas que há sortes, há! -, e logo veio o governo da altura, que calhava ser um bocado avesso à monarquia, tentar boicotar a opção do casal. Como?, perguntar-me-ão (no optimista pressuposto de que tenham aguentado até aqui sem perder o interesse no desfecho, apesar de ainda não terem entendido por que raio ainda não há sinal da Bela Adormecida). Muito simples, o ministro da pasta resolveu inventar que, em nome dos princípios democráticos e estando em causa o nascimento do futuro rei e não duma criança qualquer, a barriga de aluguer deveria ser seleccionada por concurso público!

Se o rei não gostou da decisão, que, aliás, considerou como uma afronta pessoal, o marido do rei foi aos arames (bendito povo e seu manancial de expressões!) e, como nada pudesse contra o governo, dado o princípio da separação de poderes, voltou-se contra o desgraçado do rei, de quem, volta e meia, fazia gato-sapato, e regurgitou, na sua voz esganiçada, elevada ao volume máximo, - Olhe, João Maria Gonçalo dos Prazeres e por aí fora, isto só acontece porque você é um frouxo, não manda nada e deixa que façam de você...   O rei, interrompeu-o, dizendo, - Gato-sapato, não era isso que o Sandrinho ia dizer? Ai querido, você é tão previsível quanto fofinho, tenha calma que isto vai resolver-se. Já meti o Duque de Panelas em campo, sabe, o que era amigo íntimo do ministro sem pasta antes de ele se casar, lembra-se? Ao dizer isto piscou um olho ao marido, que, caindo em si, soltou uma gargalhadinha estridente, daquelas de rasgar tímpanos. - Você sempre me saiu cá um malandreco, João Maria Gonçalo dos Prazeres, minha alteza real!

E foi como se depreende, vá-se lá saber porquê, a história do concurso público para adjudicação da barriga de aluguer caiu no esquecimento, as revistas do social começaram a impacientar-se pela demora no processo e, tudo junto, em menos de nada, a Sónia Cátia, irmã do Sandrinho, cônjuge do rei, albergava no seu ventre redondo o futuro herdeiro real. 

Espero que, por esta altura, já seja evidente que os manos Sandro e Sónia Cátia pertenciam  a uma camada por assim dizer menos privilegiada da sociedade - sem o que, obviamente, não teriam tais nomes - e essa era a razão por que, em tempos, a relação do (então) príncipe com o Sandro foi tão contrariada. Pelo menos era isso que…

E agora sim, estamos a chegar ao cerne da história, portanto, se ainda está por aí, nem pense em ir-se embora, seria como chegar à Costa da Caparica, num dia de extremo calor, e desistir  dum refrescante mergulho. 

III - A BELA ADORMECIDA, FINALMENTE!

Portanto - e aqui começa mesmo a verdadeira história que justifica o título ou talvez não, agora que penso nisso -, ao fim do tempo da praxe, a criança nasceu!

Vamos deixar a barriga de aluguer em paz, a recompor-se da chatice do parto e a fazer planos para gastar o dinheiro que recebeu à conta e que não foi pouco, e centremo-nos nas personagens principais. 

Ei-las, o rei, o marido Sandro e a criança, que vem ao colo duma nanny fardada à maneira. Saem da maternidade, sorriem com a boca toda, exibindo fiadas de esmalte (bem, a criança, não), acenam à multidão apinhada, que os vitoria e lhes atira peluches.

Repara-se, então, numa senhora idosa e elegante, com o pescoço debruado a pérolas, que se aproxima, rápida, e saca a criança do colo da nanny, pondo-se a jeito para os flashes da comunicação social e do Correio da Manhã! A multidão eleva um urro de aplauso à rainha mãe (sim, é ela, a das pérolas) e o Sandro, sem perder tempo, mete-se à frente da sogra e abana-se dum lado para o outro, em perfeito boicote à foto. Mal se apercebe - e não é difícil aperceber-se -, o rei agarra o Sandro pelo cotovelo e segreda-lhe algo ao ouvido, que, segundo uma perita em leitura labial, foi, tenha calma Sandrinho, não arme bronca, deixe lá a velha ficar na foto que eu compro-lhe um anão ou um gnomo, sei lá, o que o menino quiser, mas por amor de Deus não dê bronca, olhe as sondagens, olhe que a monarquia está por um fio, qualquer dia desmorona-se e que é feito de nós e da criança, ai.

O Sandro afasta-se a contragosto, acabam a posar todos juntos para a fotografia com uns sorrisos tão torcidos que parece que acabaram de sofrer um AVC, e a criança aos berros, que vem sensível e apercebe-se da mais mínima dissensão entre os que a rodeiam.  

Deixemos a porra do casal mais a velha e a nanny para trás, que já deu para perceber do que a casa gasta (outra…), e centremo-nos finalmente (e já não é sem tempo) na criança, uma menina, foi o que saiu!

Não quiseram saber o sexo antes, convenceram-se de que era um rapaz e foi no que deu, agora o povo e o Cláudio Ramos, mandado pela SIC, desesperam por saber o nome da cria, e é o choque, a surpresa, chama-se infanta D. Francisca Maria Teresa etc etc e Sandra. Uma explicação: a muito custo, o rei conseguiu endrominar o marido e convencê-lo de que, lá entre eles, a realeza, o nome mais relevante vinha em último lugar. Quer dizer, a menina ficou Sandra, mas com esperança de que, sendo o nome tão comprido, nunca ninguém, ao pronunciá-lo, conseguiria chegar ao Sandra, deixando-se dormir ou morrendo antes de cansaço. O Sandro, sendo um bocado burro, acreditou na versão do marido e prescindiu de ajuntar um outro nome que também lhe era muito querido e tinha raízes familiares, Cátia. Ainda bem que, por essa altura, já não havia bobo da corte, enquanto figura oficial, embora ainda houvesse contadores de histórias que é coisa que sempre haverá, a menos que acabe entretanto por força do abandono dos hábitos de leitura, oxalá não, ao menos até esta ser lida muitas vezes, que foi para isso que me dei ao trabalho de a escrever, se fosse apenas para divertimento pessoal deixava-a ficar no resguardo da mioleira e aproveitava para fazer outra coisa qualquer.

Agitaram-se as hostes ao saber-se que, em vez do esperado rapaz, nascera uma menina. 

Reunidos os deputados em sessão oficial de comemoração do nascimento real, logo a maioria pró-republicana se uniu na subscrição duma praga para que os reis não tivessem mais filhos, sendo que a manutenção da monarquia dependia (também) duma linhagem masculina, o que não estando nada com os tempos, era próprio de instituição tão retrógrada e, de resto, não destoava de muito do que se passava naquele reino - por exemplo, em igualdade de circunstâncias, os cargos políticos e de chefia serem maioritariamente ocupados por homens, estes ganharem mais do que as mulheres, os programas de tertúlia e comentário político dos media serem, na sua quase exclusividade, constituídos por homens, etc.

Todavia, havia uma deputada boa, sensível e, sobretudo atenta, que, aliás, julgara ter vislumbrado algo estranho (arrapazado, foi isso) na expressão ou na forma de se mexer da criança, e então, procurando anular o efeito da praga dos seus colegas pró-republicanos, vaticinou que a criança e, com ela, o rei e todos os outros dormiriam durante dezasseis anos e depois algo havia de suceder e logo se veria. Não chegou a anunciar o quê, pois, logo de seguida, deixou cair a cabeça para cima do computador, adormecida. E como ela os outros, todo o hemiciclo ficou igual a si próprio, em coma. E o mesmo com o resto do país, não que daí viesse mal ao mundo, talvez antes pelo contrário.

Passou-se um ano e outro e, está-se mesmo a ver, passaram-se dezasseis anos. 

O reino estava lindo, cheio de trepadeiras e teias de aranha. Com o adormecimento colectivo não tinham acontecido incêndios, a dívida pública descera para mínimos inconcebíveis, até o reino tinha desaparecido do ranking dos mais corruptos, que isto de ser corrupto exige alguma actividade, se bem que, por vezes, também implique fechar os olhos e fingir-se de morto. Em contrapartida, o turismo aumentara, numa modalidade nova, só os turistas fugiam à condição de adormecidos, enquanto os residentes dormiam à sombra dos turistas.

Então, a menina, que tinha adormecido recém-nascida com um vestidinho cor de rosa, vá-se lá saber porquê acordou com 16 anos, cabelo muito curto, uma sombra de penugem a debruar-lhe o lábio superior, uns jeans largueirões, uma t-shirt dos metalica sobre o peito liso e umas botas da tropa.

Ao seu lado e soprando-lhe ao ouvido, estava a deputada que tinha vaticinado aquilo de que depois de 16 anos de sono logo se veria. Sussurrava-lhe, - Sabes uma coisa, agora as meninas já podem ser meninos e os meninos meninas e, cereja no topo do bolo, já podem escolher se querem ser uma coisa ou outra (e quem sabe o seu contrário ou outra coisa qualquer) aos 16 anos, e sabes quem faz hoje 16 aninhos, sabes? 

A princesa encarou a deputada do jeito que só os adolescentes, o que é que esta quer, ganda parvalhona, tá bués da baralhada, levantou-se, espreguiçou-se, mirou-se ao espelho e perguntou, - Olha lá, ó coisinha, quem foi o cabrão do assessor de moda ou consultor de imagem ou lá o que é que me pôs nesta figura? Onde é o roupeiro cá do sítio?

Sem esperar por resposta, desapareceu para voltar meia hora depois, com um belo vestido vermelho, umas extensões que lhe prolongavam o cabelo até quase aos rins, o lábio superior liberto da sombra de buço e o que mais conseguirem imaginar.

A deputada, meio atónita, meio melindrada, espantou os olhos. E pior ficou quando a princesa, num tom desabrido, de quem exige resposta rápida e a contento, lhe perguntou,

- Olha lá, ó minha, onde está a porra do príncipe?

Como que por magia, ou como quem estava escondido nos bastidores à espera de ser nomeado para entrar em cena, apresentou-se um garboso rapaz, o príncipe, está-se mesmo a ver! Sorriu e preparava-se para beijar a princesa, quando ela, esquivando os lábios,

- Olha lá, não sei o que tens andado a fazer nestes últimos 16 anos, mas vê se te apressas e vais preparar uma lei que permita a continuidade da monarquia independentemente do género do herdeiro/a. Depois, volta e logo se vê. 

O Príncipe partiu, apressado, na ânsia de regressar com a missão cumprida e ver no que dava.

E pronto, foi assim que a Bela Adormecida acordou para a vida! E não acordou nada mal, parece-me!


(Imagem obtida em pesquisa google)











domingo, 15 de abril de 2018

NINGUÉM SE FAZ!


Há dias, o meu Irmão, com todo o jeito que tem para contar histórias (de família e não só), recordava que a Mãe, quando qualquer de nós criticava alguém pela aparência física, costumava desincentivar-nos, advertindo, "Olha, ninguém se faz!".

Eu, na minha parcial desmemoriação de muitas coisas do passado (espécie de Alzheimer ao contrário?!) não me lembrava, mas não me foi difícil imaginar o ar doce e compassivo com que a Mãe faria tal reparo. 

Por meu turno e na mesma linha, aditei a memória de quando, face a impaciências minhas perante terceiros desconhecidos - tipo, buzinar a empatas, no trânsito -, a Mãe aconselhava com esse saudoso jeito doce e compassivo, “Deixa lá, sabe-se lá a vida dele!”. Ainda hoje, no calor de esporádicos desesperos - bem, no tocante ao trânsito, não tão esporádicos, digo-o em abono da verdade e não desprovida de certo constrangimento -, vem-me à memória o sábio conselho maternal e reajo em conformidade - por vezes, ainda e sobretudo em questões de lentidão rodoviária, não vou a tempo, mas o coração amolece, a cabeça recrimina e, pelo caminho, salvam-se algumas vítimas; e, acima de tudo, é mais um momento de presença da Mãe (único garante da sua eternidade).

Era assim, a Mãe, a pessoa mais doce, delicada, bondosa, generosa e indulgente que me lembro de ter conhecido! Uma pessoa povoada de amor, na mais lata (e alta) acepção da palavra.

Se a Mãe tinha defeitos? Quero lá saber! As suas múltiplas qualidades, nomeadamente as que mencionei acima, constituíam a sua imagem de marca. Aliás, continuam e continuarão a constituir - agora, infelizmente, no plano da eternidade para onde já transitou -, ao menos enquanto alguém, um filho, uma filha, um neto ou uma neta a recordarem! Com sorte, o bisneto ou a bisneta que não chegou a conhecer ainda a recordarão, por via das histórias ouvidas dos anteriores.


A Mãe completaria 97 anos no próximo mês (não por acaso) das flores! Todavia, muito injusta, precoce e incompreensivelmente, deixou-nos aos 77. Nós não a deixaremos, assim a memória persista e se faça ligação aos mais novos... 


(She was so beautiful!)








quinta-feira, 5 de abril de 2018

PELO MÉDIO ORIENTE - III - AINDA O #ABU DHABI



O tour pelo Abu Dhabi (v. post de 18 de Fevereiro p.p.)  prosseguiu em direcção ao Saadiyat Cultural District (sede dos mais importantes museus), para visita do centro cultural e artístico Manarat Al Saadiyat (o lugar da iluminação), que alberga, v.g., várias galerias de arte e exibe colecções de artistas nacionais e internacionais, proporcionando uma ideia do investimento artístico dos/nos UAE.

A propósito e como é sabido, foi recentemente inaugurado o Louvre Abu Dhabi (que, lamentavelmente, não tive oportunidade de visitar), encontrando-se, também, em vias de conclusão um novo museu Guggenheim (o maior do mundo, lá vai mais um record, of course!), da autoria de Frank Gehry.


(A cúpula do Louvre, captada em trânsito)

(O projectado Guggenheim, imagem obtida em pesquisa Google )


No Manarat Al Saadiyat pude desfrutar de três exposições, uma de fotografia, excelente, uma de comics, interessante e divertida, e uma outra de pintura, ilustrativa de alguns aspectos da cultura local (com laivos de culto da personalidade, maxime no tocante ao fundador, Sheikh Zayed).

(Sheikh Zayed, num dos múltiplos cartazes espalhados por lá)


O edifício, caracterizado pela modernidade das linhas despojadas e sóbrias, transmite uma ideia de elegância e harmonia. As árvores e a esplanada (prolongamento do restaurante LARTE) que nos acolhem à entrada, evocando uma hipotética calidez mediterrânea, constituem o convite perfeito para a exploração do espaço. A competência e profissionalismo do funcionário que nos guia pelas exposições completam a qualidade anunciada. 

Exterior:




Interior:






A abrir:
(a presença do artista francês Richard Orlinski, através do Red Kong e de outros bonecos)








De passagem:


A graça dum comic:


Tradição:
(pinturas e fotografia)





A poucos metros:

(UAE Pavilion)
Inspirado nas dunas do deserto, este Pavilhão representou os UAE na Exposição de Xangai 2010 - subordinada ao tema Better Cities, Beter Lives -, sendo da autoria do Gabinete de Arquitectura Foster+Partners. Posteriormente foi desmontado e remontado, peça a peça, a curta distância do Manarat al Saadiyat (funcionando, actualmente, como centro cultural e artístico e sede de variados eventos).

Curiosamente, o guia local informou tratar-se do novo Guggenheim, em vias de conclusão... Enfim, como é sabido, não se pode acreditar em tudo o que nos dizem! 

Outra interessante obra de arquitectura inspirada no movimento das dunas do deserto é a ponte Sheikh Zayed (o sempre presente!), conhecida por ponte das ondas, que foi projectada pela arquitecta iraquiana-britânica (vencedora do prémio Pritzker) Zaha Hadid.




Novo local de passagem foi a ilha de Yas (artificial), onde se situam o Circuito de Fórmula 1 e o Parque Ferrari World

Integrado no complexo do circuito, o hotel Yas Viceroy Abu Dhabi garante vista directa para o mesmo. A sua cúpula inspira-se no desenho dos cestos dos apanhadores de pérolas (uma das principais actividades económicas e fonte de receitas dos UAE até aos anos 30 do século passado, altura em que claudicou face à concorrência do mercado das pérolas de cultura, introduzidas pelos japoneses). 



(Telhado do Yas hotel)


(três aspectos do complexo, com destaque para a marina)

Ao que consta, o Ferrari World - parque de diversões inspiradas na marca - constitui uma das maiores atracções dos AUE. 



(Alegadamente, a montanha-russa mais rápida do mundo-mais um record...)

O percurso pela cidade permitiu constatar que, também aqui, a construção em altura ocupa um lugar especial, pese embora, segundo me pareceu, não ostentar a ousadia da do Dubai e oferecer um aspecto mais convencional. 








O regresso ao porto, ia a tarde a meio, permitiu captar mais umas imagens, imersas numa luminosidade cálida.









Caída a noite, as luzes brilhavam do outro lado do porto, a lua exibia-se, plena, o navio borbulhava na ebulição própria de qualquer 31 de Dezembro que se preze - entre o tilintar dos copos, a mexida dos corpos abanando-se ao som da música e tudo o mais que esse folclore implica. No segundo em que deixou de ser 2017 e passou a ser 2018, explodiu o fogo de artifício, o outro fogo de artifício.








O navio prosseguiu o seu curso. No dia seguinte iria deter-se ao largo da ilha de Sir Bani Yas, onde regressarei - com quem me quiser acompanhar - no próximo post.