terça-feira, 14 de julho de 2026

VIAGEM À IRLANDA: DESCOLAGEM QUASE HISTÓRICA

Viajar, uma das minhas actividades preferidas, era algo que já não intentava há demasiado tempo – refiro-me a viagens para fora do país.
A culpa inicial coube ao COVID-19 – curiosamente, em Outubro de 2019, véspera do respectivo espoletar, empreendi uma magnífica visita à China, supostamente berço do malfadado vírus.
Seguiu-se o que todos sabemos e assim, entre confinamentos e receio de contágios, decorreram os dois anos seguintes sem me atrever a franquear a porta de um avião, navio ou qualquer outro meio de transporte susceptível de me levar à descoberta de novos horizontes (geográfico-culturais).
Apenas em 2023, decidi aventurar-me a nova viagem longe, elegendo como destino a Jordânia, atraída pelo apelo que, de há muito, este país vinha exercendo sobre mim – pela sua riqueza em locais míticos, tais como alguns dos que testemunharam a passagem de Jesus Cristo na Terra, outros cujos simples nomes encerram beleza, mistério e espiritualidade, caso de Petra, um lago salgado, Mar Morto, cujas águas nos elevam ao colo, qual exercício de aconchego e protecção, um deserto, Deserto de Wadi Rum, onde as noites oferecem miríades de estrelas, uma cultura milenar, bíblica, e muito mais.
Tendo por hábito preparar as viagens, desde logo, com recurso a leituras de ordem vária, uma das que nunca falta é a de um guia de viagem; no caso desta, a ronda pelas livrarias que, habitualmente, frequento, mesmo alargada a outras, não respondeu à procura, o que só consegui através de uma visita à Livraria Palavra de Viajante, sita da Rua de S. Bento, em Lisboa, em boa hora descoberta aquando de anteriores dificuldades idênticas.
Apliquei-me com iguais doses de entusiasmo e afinco no estudo do guia, Jordanie (Guide Petit Futé) e considerei-me apta a usufruir da experiência.
Todavia, a poucos dias da ansiada data da partida, eis-me fustigada por uma infecção respiratória, determinante do cancelamento da viagem – felizmente, com direito a reembolso, pelo seguro, do respectivo custo, o que já não foi pouco (em termos materiais), mas não o suficiente para anular a decepção, diria mesmo sensação de derrota.
A vida prosseguiu, como é de hábito, ao menos até terminar – nem Monsieur de la Palisse diria melhor, estou certa! – e, desde então, em anos sucessivos, fui marcando novas viagens, desta feita não para destinos tão exóticos, mas centrada na ideia de conhecer os países europeus por onde ainda não passara.
Assim se sucederam três marcações, todas elas com destino a Munique, mas eis que, sem excepção, acabaram canceladas, uma porque, em dias prévios contraí o dito COVID -19 – feito até então não consumado, o que, quando da apresentação do diagnóstico, levou o médico a rir, perante a minha exclamação, proferida com ar deveras natural e, pelos vistos, aparentemente despreocupado, senão divertido: "finalmente!, sou a única da família que permanecia imune ao vírus"; as restantes, devido a constrangimentos das próprias operadoras turísticas (falta de número mínimo de participantes e outra situação do género).
Não sou de acreditar em bruxas – no domínio do objectivamente indemonstrável, apenas dou crédito a duendes, gnomos, fadas e seres afins –, mas, tal qual reza o provérbio galego, Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!, é dizer, a minha mente céptica (quase) deu mostras de claudicar, vergada à convicção da existência de feitiço a rodear tanto cancelamento e consequente frustração.
Triunfando  a racionalidade, que felizmente costuma imperar, eis-me a reservar nova viagem, desta feita, zangada com Munique (por certo, a última culpada!), rumo à Irlanda, em concreto, a Dublin, e apenas por cinco dias.
Decidi no momento, acabara de lanchar na cafetaria do ECI (El Corte Inglés) e, tendo  a conversa com o meu interlocutor incidido na temática férias/viagens, saí de lá e, não é tarde nem é cedo, fui directa à Agência de Viagens do mesmo espaço comercial, onde, no momento, adquiri a viagem (apenas avião e hotel, depois logo veria).
Sucedeu isto no dia 3 do passado mês de Junho e, obviamente, o entusiasmo com que regressei a casa foi assinalável.
Na noite seguinte mal dormi, não devido à excitante perspectiva de retomar os passeios internacionais, mas antes, por efeito de certas dores no corpo, que, logo pela manhã, me levaram de urgência ao único hospital onde consegui médico especialista no assunto, em Cascais. A situação, merecedora de intervenção imediata, embora não revestisse gravidade especial, também não era de molde a passar sem demora, pelo que, embora a questão das dores tivesse sido significativamente atenuada, o facto é que permaneceu, causadora de incómodos e constrangimentos vários e, aliás, requerendo outras intervenções, ainda em curso.
A congeminação sobre a hipotética presença de feitiçaria, retornou de pleno, e, como se as circunstâncias presentes não bastassem, eis que, alguns dias volvidos, outra frente de moléstia atacou (também traduzida em dores, mas, ao menos na aparência, não evidenciadora de particular gravidade).
E eu, como costuma dizer-se e passe o lugar comum,  a ver a vidinha a andar para trás, mais um voo interrompido, ou, parafraseando a exortação das diversões de feira – nova partida, nova viagem –, nova marcação, novo cancelamento!
Assim permaneci, em angustiante expectativa, até à própria véspera, dia em que acordei de tal maneira indisposta que decidi mesmo não ir. Contudo, a força do pensamento positivo, o esforço de vontade e superação ou, quem sabe se a influência dum eventual Anjo da Guarda ou de qualquer outro ente benigno que, por vezes, calhe dar um ar de sua graça, para não mencionar o acaso, destino ou outra intervenção/entidade indemonstrável, enfim, qualquer razão para lá do domínio do conhecimento racional (ao menos, do meu), acabou por conduzir à reversão da desistência, por feliz desnecessidade.
No dia previsto, parti, bem mais bem disposta e animada do que na véspera, com destino a Dublin,  capital da República da Irlanda.
Desta vez, dadas as circunstâncias descritas – e apesar de, no meio de tantas atribulações, ter conseguido disponibilidade para consultar um guia de viagem, Dublin (CityPack), adquirido na minha livraria de eleição, a BERTRAND, bem como diversos sites, na NET –, considerei-me deficientemente preparada, mas, que interessava isso!, encontrava-me de novo em modo descolagem, no ar, em trânsito  a caminho do mundo!

Se leram até aqui, presumo (e compreendo) que se questionem sobre o interesse deste relato, em que, sob a promessa de uma viagem à Irlanda, acaba por se encadear uma sequência de fracassos pessoais..., embora com final feliz! 

Convido-Vos, todavia, a perspectivarem o caso da seguinte maneira: o marco inicial das viagens não começará algures, bem lá atrás, como, de resto, tudo o que caracteriza o percurso da vida, essa viagem maior? Ou seja, não foi tudo o acontecido desde a minha última viagem que me levou até esta? E isto, apenas em termos imediatos, pois tudo na nossa vida ascende a um tempo antes e se prolonga pelo tempo depois, esses dois tempos que, fundidos num único, talvez anulem a própria ideia de tempo ou, inclusive, o seu conceito habitual (tecido de medida e dimensão, limites, pois). Não será a existência um mero (e contínuo) transitar, com passagem por estações várias, das quais tendemos a reconhecer como decisivas, senão definitivas, a primeira chegada e a última partida ou as que como tal entendemos (nascimento e morte), ignorantes de tudo o que não conseguimos atingir pelo caminho da compreensão racional? 

Em todo o caso, a título de compensação, tenciono vir a reportar por aqui algo sobre a viagem a Dublin, propriamente dita, quanto mais não seja, deixar umas dicas para quem lá for parar sem grande preparação, com foi o meu caso.






terça-feira, 10 de março de 2026

MARIA NINGUÉM (8): REFÉM DA CONVERSA DE AFONSO

e assim regressei à única casa em que me fora dado experimentar certa harmonia e paz. de imediato, saltou-me à vista a decrepitude do recheio e sua assinalável desarrumação. o afonso conduziu-me à sala de estar, presidida por uma mesa, ainda dos outros tempos, à semelhança dos restantes móveis, amortalhada numa toalha de pano coalhada de nódoas e de embalagens de comida de take away escancaradas, exibindo restos de alimentos, bem como de pratos, copos e talheres desirmanados, evidenciando prolongada utilização e ausência de lavagem.
com sorte, vai-me contratar para as evidentemente necessárias limpezas, pensei, esperançosa, enquanto ele exibia certo incómodo pelo estado da casa. em vez disso, perguntou-me, "então conta lá, por onde tens andado e que tens feito desde que saíste cá de casa". encolhi-me na cadeira, sem vontade de lhe confessar as minhas desventuras, mas, convicta de que ele não desistiria enquanto não obtivesse resposta, murmurei, "ora, por aqui e por ali, sempre a servir, até que fui parar a uma mansão onde me encarregaram do cuidado de todas as madeiras, móveis, portas, escadas, sobretudo a enorme escadaria que partia do átrio." detive-me um momento, mas o seu olhar fixo no meu parecia um espelho de expectativa, pelo que decidi abreviar o relato, "depois, sofri um acidente e a memória fechou-se-me, não recordo nada do mesmo nem do que se passou a seguir, até vir cá ter, talvez movida pela recordação da bondade dos seus avós e mesmo sabendo que já haviam falecido." apesar de não me parecer muito convencido – "mas não te lembras mesmo de nada, nem de como cá vieste parar?", indagou e eu de confirmar com uma vénia – acabou por não insistir e assim ficámos num impasse, ele fitando-me e eu escapulindo os olhos para o colo.
"bom, o importante é que agora estás aqui e que tenho uma proposta para te fazer." levantei os olhos, expectante, mas ele, em vez de adiantar a proposta, lamentou, "estás muito pálida, ainda mais do que da outra vez em que me apareceste à porta, vou buscar algo para te alimentares, embora, como já deves ter percebido, não haja grande coisa cá em casa, mas uma carcaça, um bocado de queijo e umas bolachas sempre se arranjam. e café ou chá, qual preferes?" exausta e esfomeada como estava, nem tive forças para fingir cerimónias, respondi, "café, se faz favor."
ele saiu da sala para regressar, pouco depois, artilhado com um prato coberto de pão e queijo e uma chávena de café acabado de fazer, numa Nespresso, pensei – enquanto me apercebia das suas parecenças com o george clooney, corando.
após ter comido e agradecido, lá veio ele com a proposta, não antes de divagar num relato interminável (ou assim me pareceu) sobre a sua situação:
"depois da morte dos meus avós, passei muito tempo sem regressar a esta casa, pois, como sabes, vivia longe, com os meus pais e, sendo ainda rapaz, sem independência ou autonomia financeira, devia-lhes obediência, as mais das vezes, contrariada. aos dezoito anos, ingressei na universidade, onde me licenciei em engenharia informática; depois, fui para o estrangeiro, f a z e r   m  e  s  t  r  a  d  o
 e............"
ignoro como consegui manter os olhos abertos (estou a ficar perita nisto!, pensei), apesar do peso empenhado no esforço de continuar a ouvir. lá fui mastigando mais uma bolacha e sorvendo um resto de café, mas, a dada altura, as palavras dele surgiam-me au ralenti, como se feitas de letras soletradas com espaçamento crescente, produzindo o efeito sonoro de um caracol a deslizar na própria baba (ampliado, claro!). definitivamente, parei de acompanhar e desconheço se mantinha os olhos abertos.
resgatei o mínimo armazenado de atenção quando consegui perceber uma simples palavra, aliás duas, "casado" e "divorciado". arrebitei as orelhas, aquilo podia ser informação útil, e apanhei o seguinte:
"a verdade é que o casamento não funcionou, e acabou no que muitos têm tendência a mergulhar, um divórcio, ainda por cima, litigioso, com montanhas de reivindicações económicas da parte dela. abreviando, tive de lhe deixar a casa e mais um balúrdio de euros, em troca de ela prescindir de pensão, o que seria um fardo para o resto dos meus dias. a sorte foi não termos tido filhos, sempre se lhes poupou o sofrimento, as crianças sofrem, por mais que se diga o contrário." – que tolice, pensei, como se pode poupar seja o que for a quem nem sequer existe! com argumentos destes até eu seria filósofa! – ocorreu-me isto enquanto ele pausou um pouco, talvez para se recompor daquele casamento/divórcio, do qual saíra, no mínimo, depenado.
prosseguiu: "por isso regressei a esta casa, de que, aliás, sempre gostei muito, sobretudo por conservar recordações preciosas dos meus avós. como trabalho, principalmente, a partir de casa, online, não me fez qualquer diferença, aliás, até me calhou bem este afastamento, mas a casa está um bocado decrépita, pelos anos que permaneceu fechada e    f   a   ç   o     t   e   n   ç   ã   o      d      e       a      
..."
pronto, lá vamos nós outra vez, pensei, assoberbada pelo desespero de sucumbir à descida das pálpebras, agora trémulas
não sei quanto tempo depois, estremeci, como se de um terramoto, ao sentir a sua mão no meu braço, um sorriso cúmplice estampado no rosto de actor. recompus-me como pude e, ainda nem começara a esboçar uma desculpa esfarrapada, quando ele atalhou: "desculpa, vejo que estás mesmo exausta, vai descansar e amanhã logo falamos, sim, porque hoje só falei eu; podes ficar no teu antigo quarto, não, é melhor num dos quartos de hóspedes que sempre tens mais espaço e conforto."
olha a porra, estive eu aqui a praticar musculação das pálpebras com esforço desvairado e acabo sem saber a única coisa que me interessava, a proposta dele, bem, caso haja alguma! isto já parece a história da velha, a bruxa da sibila, a manter-me prisioneira, sob falsas promessas, para, no fim, me converter em adubo para as trepadeiras (caso tivesse conseguido!). o melhor será esgueirar-me de fininho, se possível, que isto com a guarda canina sempre a postos, não vai ser fácil passar despercebida, terei de começar por lhes conquistar o silêncio. de resto, neste momento, nem que quisesse, não conseguiria ir a lado nenhum! presa nestas cogitações, retirei-me para um quarto indicado por ele e, mesmo sem abluções, enfiei-me na cama. antes, porém, verifiquei se a fechadura da porta estava em condições e rodei a chave. ainda espreitei pela janela, antes de correr as cortinas das quais se desprendeu um nevoeiro de pó, mas não avistei qualquer gradeamento, verdadeiro ou ilusório. 
levitava já nos braços do sono, quando senti uma pancadinha na porta. sem esperar resposta, ele disse: "era só para te desejar boa noite e lembrar que amanhã te faço a tal proposta." obviamente, não respondi,  limitei-me a pensar, vai-te mas é catar, e entreguei-me, de corpo, alma e tudo ao abandono.    


P.S. : este texto é continuação do (post) de 07 de Outubro p.p. e, com sorte, irá prosseguir. 






sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

NO PRINCÍPIO, ÉRAMOS TODOS


no princípio, éramos todos
pai, mãe, irmão, avó (a de lá de casa)
galinhas, pombas, coelhos, por vezes
couves, árvores (a figueira, rainha indiscutível)
flores e, claro, as piracantas
baloiço, brinquedos, carrinhos e bonecas 
casa, obviamente, a casa
amigos das brincadeiras
empregadas domésticas

avozinho e avozinha (paternos)

tios, tias, primos, primas 
amigos e conhecidos
vendedores das lojas que frequentávamos

nuvens no outono
chuva e neve no inverno
explosão de cores na primavera
calor e moscas no verão

férias grandes eternas

muito mais, que não caberia nem na biografia do universo

no princípio, não constava o tempo
(falo apenas por mim)
memória imprestável, porque desnecessária
inexistente, pois
desejo e ansiedade, o mesmo
como experimentá-los, não havendo futuro?

no princípio, éramos todos e (porque) não existia o tempo
éramos todos, pois carecíamos de passado ou de futuro
o princípio fazia-se de agora, tão só agora
portanto, éramos todos, gloriosamente todos, para sempre

depois, a distância galgou
esticou-se a idade, sem detenção
a inexorabilidade do tempo a revelar-se
logo, a impor-se
nostalgias e arrependimentos
apreensões e antevisões
ofuscaram o agora

de repente, ou melhor, como se de repente
o agora deixou-se prender nas malhas do passado e do futuro
a aquietação cedeu à memória e à previsão

na verdade, não sucedeu de repente

primeiro, a morte da avozinha
(a morte da menina T. tinha ocorrido no tempo do agora
inspirou certo terror de mistério, é certo
mas ainda não o deslaçar do tecido do todos)

depois, a morte do senhor T.

mais tarde, o imprevisto crescimento de duas crianças
no espaço de nem meia dúzia de anos
deixaram de ser os meninos com quem, no princípio, brincava
como se meus bonecos vivos
a inesperada redução do tamanho do jardim e do corredor de jogar à bola
estranha e indesejada magia

ainda sem perceber bem, à deriva, confusa

mais tarde, morreu o avozinho

anos volvidos morreu a avó lá de casa

só para dizer que, por esta altura, já não éramos todos
tínhamos ido deixando de ser todos
tornou-se esperável a ceifa da passagem do tempo
instalação da incerteza
certeza feita da sabedoria da incerteza
nunca mais seríamos todos
a lastimável conclusão

ainda mais tarde
(mas sempre cedo de mais
não deveria sequer ter ocorrido nunca)
foi a vez da mãe
e do pai
morreram

certo que, no espaço do entretanto
agora espaço-tempo
espaço/tempo
apenas tempo
passado/futuro
(o agora obnubilidado)
o todo que éramos foi ampliado
(sem a minha contribuição
embora com o meu encantamento
digo-o em abono da verdade)

mas já não posso afirmar que fôssemos todos (os todos)
– como poderíamos ser todos
sob o domínio do tempo
abandonada a exclusividade do agora?

do núcleo duro do grupo inicial sobrámos dois
dois de os todos 
contaminados pelo tempo, irmanados
passado comum, futuro sabido, incerto no termo
à espera de se cumprir
como é da vida

mas, no princípio, éramos todos
no tempo em que ainda não existia o tempo
(a consciência do tempo, repito
falando apenas por mim)

no princípio, era seguro, aconchegante
o tempo por revelar, inexistente, pois
agora, na certeza da existência do tempo
da lonjura do passado, da proximidade do (fim do) futuro
impõe-se um regresso ao agora

já não o agora inicial
o do princípio, em que éramos todos
(sempre tínhamos sido e sempre seríamos todos)

todavia, um agora pacífico
olhar desvendado pelo tempo
felicidade de saber que, no princípio, fomos todos, para sempre
certeza (do desejo) de que, quando chegar a nossa vez de abandonar
outros todos desfrutarão dum precioso agora
saberão assimilar o depois
alcançar a paz da espera, como nós
(falo por mim, claro
mas espero que não só)

(em memória de todos os meus queridos mortos e com amor por todos os meus queridos vivos)